Wellington intervém para garantir certificação de rebanho livre de aftosa

wellington intervém para garantir certificação de rebanho livre de aftosa

O senador Wellington Fagundes (PR-MT) disse nesta terça-feira, 14, que o Brasil viveu um período de grave risco econômico diante da possibilidade de o país perder a certificação de rebanho livre da febre aftosa por vacinação. Motivo: havia o risco de faltar vacinas para o serviço de imunização a partir de 2016.

A preocupação do senador foi externada durante reunião da Comissão de Agricultura e Reforma Agrária do Senado Federal na semana passada, ao relatar encontro que teve com a ministra Kátia Abreu, para tratar especificamente do assunto. “Felizmente, esse risco foi afastado” – comemorou.

Fagundes explicou que medidas adotadas pela Secretaria de Defesa Agropecuária (SDA), através de Instrução Normativa (IN) nº 5, de março de 2012, poderiam gerar riscos de desabastecimento da vacina, em função da atualização dos parâmetros de biossegurança de fábricas. Algumas dessas exigências, segundo relatou o senador, exigiriam um período maior de adaptação e produção, já poderia existir a necessidade da importação de equipamentos e aumento no tempo para sua instalação. No Brasil, há sete laboratórios que fabricam a vacina.

"Passamos por um grande risco de um atropelo econômico sem precedentes", disse o senador republicano, ao enaltecer as medidas adotadas pelo Ministério da Agricultura.

Wellington lembrou que há 160 anos, o Brasil não registra a ocorrência da febre aftosa. Ele enfatizou que existe a possibilidade, ainda este ano, de o Brasil ser declarado “País livre da febre aftosa, com vacinação”. Contudo, ao levar sua preocupação para a ministra da Agricultura em busca de uma solução, observou que há risco de faltar vacina para o ano que vem, com fortes repercussões sanitárias e econômicas.

A notícia causou preocupação entre os pecuaristas brasileiros, principalmente em Mato Grosso, onde rebanho bovino atinge a marca de 28 milhões de cabeças, quase 14% do rebanho nacional. O Estado é o maior criador de gado do país. Vizinho, Mato Grosso do Sul tem 10% do rebanho. “Essa questão realmente é muito grave e pode trazer prejuízos incalculáveis” – ele frisou, ao destacar que os dois estados tem uma fronteira seca com Paraguai e Bolívia, onde a questão fitossanitária é mais precária.

Fagundes lembrou que o Brasil tem investido em fazer a vacinação também em países vizinhos. “Esse controle da febre aftosa não é um problema só do Brasil. Além de haver a preocupação com o nosso controle, nós ainda temos de cuidar do vizinho, porque não há uma parede para proteger do vírus” – completou.

A campanha de vacinação contra a aftosa para este ano já tem vacina em estoque e está assegurada. No entanto, o problema referia-se a 2016, na campanha que começará em novembro. “Para produzir uma vacina não basta ‘apertar o botão’. Existe todo um processo de laboratório. E, caso venha a faltar vacina, não adianta importar, porque as variedades da cepa virótica no Brasil são diferentes das de outros países” – enfatizou o senador.

A ministra, no entanto, segundo o senador, “foi muito firme, chamou seus técnicos e exigiu posicionamento imediato”. Nesta segunda-feira, 14, o Ministério da Agricultura baixou nova IN prorrogando por um ano a vigências das algumas das novas regras de biossegurança para os laboratórios.

A presidente da Comissão de Agricultura do Senado, Ana Amélia (PP-RS), observou que a ministra Kátia Abreu, quando esteve na Comissão, deu como prioridade da administração “considerar o Brasil como território livre da aftosa sem vacinação” – considerada como uma meta ambiciosa. Hoje, apenas o Estado de Santa Catarina é considerado assim, porque obteve um tratamento diferenciado da Organização Internacional de Epizootias. “Então, para o Brasil conseguir isso, ele precisa, evidentemente, ter uma seriedade e um rigor extraordinários na vacinação da aftosa” – disse.