Policial Militar é indiciado por homicídio doloso na morte de jovem que brincava com arma de pressão no norte da ilha

O inquérito chegou ao Ministério Público do Estado e foi encaminhado para a Promotoria do Tribunal do Júri nesta terça-feira.

Polícia Civil conclui inquérito sobre caso do jovem morto pela PM em Florianópolis. Foto: reprodução

A Polícia Civil indiciou um dos policiais militares envolvidos na morte do jovem de 19 anos pela Polícia Militar (PM) em abril, no bairro Ingleses em Florianópolis, por homicídio doloso. A vítima estava no pátio de casa e atirando com uma arma de pressão em latinhas quando foi atingida por disparos.

O inquérito, que foi concluído pela Polícia Civil na segunda-feira (20), chegou ao Ministério Público do Estado e nesta terça-feira (21) foi encaminhado para a Promotoria do Tribunal do Júri.

A partir de quarta-feira (22) começa a contar o prazo de 15 dias para o promotor definir se denuncia ou não os envolvidos à Justiça. Se a denúncia for aceita, o caso segue para júri popular.

Na Corregedoria da PM, a apuração ainda está em andamento e dentro do prazo previsto para conclusão, que é de 40 dias. Após receber o resultado das investigações da PM, o promotor decide se teve ou não culpa por parte dos policiais de acordo com o Código Penal Militar. Os nomes dos policiais envolvidos não foram divulgados.

A família de Vitor Rodrigues Xavier da Silva disse que ele estava brincando de atirar em latinhas com uma arma de pressão quando foi baleado pela polícia, em 18 de abril. A PM alegou que não tinha como saber que a arma não era letal e que revidou ameaça.

O laudo pericial apontou que o jovem foi atingido por quatro perfurações, sendo três do lado esquerdo, os quais causaram o politraumatismo e a morte.

Família

No último final de semana, fez um mês que a família se despediu de Vitor. Os parentes continuam abalados, não querem falar sobre o assunto e chegaram a mudar de local de residência. O advogado da família, Diógenes Fonseca, disse que deve ajuizar uma ação por danos morais, mas aguarda MPSC oferecer denúncia.

A versão dos policiais é diferente da irmã de Vitor, que estava na casa no momento do crime. “Os policiais que participaram da ocorrência alegam uma coisa e os familiares e vizinhos que estavam na redondeza, muito embora não tenham presenciado ou visto, estavam muito perto, e não batem as informações fornecidas pela polícia. Não existe até então nenhum vídeo ou testemunha ocular, então a gente fica muito dependente dos laudos periciais”, disse o advogado.

Outro lado

Em nota, a PM informou apenas que os policiais envolvidos nesta ocorrência já foram ouvidos e seguem trabalhando na unidade. Um deles chegou a ter afastamento médico por causa do estresse da ocorrência.

Também informou por nota que após o envio do inquérito à Justiça é que a imprensa poderá ter acesso ao nome do policial, se assim o juiz entender ou autorizar.