O suficiente, não mais que o suficiente

A economia vigente nos diz que precisamos crescer. Seu primeiro mandamento é crescer, crescer sempre.

Companhias precisam crescer, vender, bater recordes. O setor agrícola precisa colher, mais e mais, atingindo mais metas que no ano anterior. O PIB tem que ser maior, pessoas têm que consumir mais, querer mais, ganhar mais, fazer mais, tudo cada vez mais.

Indústria automobilística. Foto: banco de imagens

A Terra e a natureza (relembrando que o homem é um ser que é parte desta), nos mostra que tudo cresce, atinge seu apogeu e para, ou transforma-se. O planeta gera constantemente o suficiente para todos, mas não gera o excesso necessário para nutrir o acúmulo, a ganância e o desperdício.

Ao contrário da ganância econômica, nosso planeta Terra não cresce cada vez mais. Ele pode ficar cada vez melhor, mas não maior. Ele tem sua ordem, seus limites, seu ritmo e seu tempo.

A economia vigente nos diz para competir e que somente crescendo mais que o concorrente teremos uma performance adequada. A regra vigente na Cultura Ocidental é a da medida do sucesso por mais sucesso financeiro. Vendemos nossas vidas para atingir objetivos que nunca serão preenchidos e que trazem consigo uma clara sensação de vazio, pois sempre serão criadas mais metas a alcançar. Assim a economia nos conduz a algo que jamais será alcançado, norteando-nos pela filosofia vazia de crescer por crescer.

Crianças a beira de um rio poluído no Senegal. Foto: banco de imagens

Para ser saudável a competição deve ter seus limites, não pode aniquilar pessoas e vidas.  A cooperação é a única forma de ação onde todos ganham e crescem. Habitamos um planeta juntamente a bilhões de outras espécies e de acordo com esta harmônica inteligência, para continuarmos nos desenvolvendo como um todo, devemos cooperar usando somente o que precisamos, sem desperdício algum.

Devemos polinizar, energizar, criar abrigo e proteção para os que não possuem, fortalecendo parcerias saudáveis e cuidados para com o nosso ambiente.

Podemos dizer que a Terra é como um banco, onde atualmente estamos apenas sacando sem investir nesta “conta bancária”, prática que está nos levando a uma falência eminente. Temos que mudar urgentemente nossa conduta do “querer mais e mais rápido”, do “não reparar”, do “não cuidar”, do “consumir somente por consumir” e de que tudo tenha que ser barato, imediatista e de que precisamos sempre de mais e mais.

Exemplo de criação de peças em papel de modo ecologicamente correto pelo Ateliê Nara Guichon. Foto: Reprodução

Nossa atitude de consumo irresponsável de total desrespeito aos recursos naturais nos trouxe ao colapso que vivemos hoje: florestas derrubadas para suprir uma economia, rios poluídos por indústrias que precisam estar em todos os cantos do globo, solo destruído por práticas agrícolas desrespeitosas e muitos outros problemas. Esta atitude matou infinitas culturas locais e muitos, e ainda desconhecidos, recursos naturais.

Constantemente agimos como se estivéssemos em uma guerra, e, de fato, estabelecemos uma guerra contra a natureza, poluindo, devastando, discriminando, matando sem causa, sempre comandados pela falsa ideia de que crescer infinitamente é o que importa.

As leis estabelecidas pelos homens devem espelhar-se nas leis criadas pela natureza. A escolha é nossa e se não a fizermos, sabemos claramente aonde essas atitudes nos levarão.

Fazer as pazes com a natureza é emergencial e certamente a única forma de mantermos a vida no planeta azul.

Fonte: Nara Guichon