
Na corrida contra o tempo para salvar vidas, Santa Catarina se prepara para construir seu primeiro hospital de campanha. A estrutura, que será montada em Itajaí, deve contar com 100 leitos de UTI e ter um custo de R$ 76 milhões para os cofres públicos.
O dinheiro, que vem de uma verba complementar, irá custear estrutura, equipamentos e os salários dos profissionais de saúde. O recurso, segundo o governo do Estado, é proveniente do Tesouro Estadual e foi repassado ao Fundo Estadual de Saúde.
O valor aplicado na construção da obra é de parte da dívida pública que deveria ser desembolsada para o pagamento à União.
Para garantir recursos para o combate à pandemia, o Estado obteve uma liminar que suspende temporariamente o pagamento da dívida.
O projeto foi apresentado para o Ministério Público e Tribunal de Contas do Estado.
No âmbito interno do Executivo, a proposta passou pelo crivo da Controladoria Geral do Estado, da Secretaria da Fazenda e da Secretaria da Administração.
A empresa vencedora da licitação, o Hospital Espírita Mahatma Gandhi, tem trinta dias para finalizar a construção do hospital. A obra deverá ser iniciada nesta quarta-feira (15).
Segundo o governo do Estado, o primeiro pagamento ao hospital só ocorrerá após a estrutura já estar em funcionamento. A partir daí, ocorrerão repasses mensais.
Valor superior ao hospital modelo
Sem dinheiro do governo federal, a obra tem valor alto se comparada ao hospital de campanha-modelo, que está construído na cidade goiana de Águas Lindas.
Para a construção da obra estão sendo investidos R$ 10 milhões. O valor é destinado apenas para a construção da estrutura, cabendo ao governo de Goiás, os custos com equipamentos, materiais e folha salarial.
A discrepância de valores chegou a ser questionada durante uma live do Ministério da Saúde na noite da última terça-feira (13). Nela, o próprio secretário-executivo da pasta, João Gabbardo, disse não entender o motivo da diferença.
“Teríamos que analisar os dois projetos e ver se o projeto de Santa Catarina tem alguma coisa adicional ao nosso em relação a equipamentos.[…] Nós podemos e devemos informar todos os custos relacionados ao nosso projeto, que custa R$ 10 milhões. Fica muito difícil fazer uma comparação, mas realmente chama atenção porque a diferença é muito significativa”, comentou Gabbardo.
A diferença nos valores é compreendida a partir do que cada órgão está propondo. Em Goiás, o dinheiro do Governo Federal será usado na compra do terreno, construção da estrutura física e manutenção da obra por quatro meses.
Porém, segundo o Ministério da Saúde, caberá ao Governo do Estado de Goiás comprar os equipamentos, insumos e contratar profissionais para atuação dentro do hospital de campanha, que terá 160 semi-intensivos e 40 de UTI (Unidade de Terapia Intensiva), totalizando 200 leitos.
Chefe da Defesa Civil explica repasses
O chefe da Defesa Civil de Santa Catarina, João Batista Cordeiro Júnior, justificou o valor, dizendo que a estrutura provisória montada, na região do Vale do Itajaí, inclui todos os custo para sua manutenção.
Como o hospital será erguido dentro do Centro de Eventos de Itajaí, o pavilhão da Marejada, o custo com edificação é de aproximadamente R$ 600 mil, segundo o Estado. Além disso, são R$ 18 milhões em 43 tipos de equipamentos e R$ 33,6 milhões em insumos.
Outros R$ 22,2 milhões vão para o pagamento de salários dos 450 profissionais que vão atender no hospital de campanha e mais R$ 3 milhões com custos indiretos, como alimentação dos pacientes, por exemplo.
O valor irá manter a estrutura em funcionamento durante seis meses, com atendimento 24 horas para pacientes com Covid-19.
João Batista Cordeiro Júnior não soube informar se a estrutura irá atender pacientes de alta complexidade, visto que a região conta com o hospital de referência Marieta Konder Bornhausen.
Próximos hospitais poderão ter investimento federal
Além do hospital em Itajaí, o Estado tem projeto para outras 10 estruturas de campanha. Grande Florianópolis, Sul, Serra, Extremo Oeste e Norte, na região de Joinville, são tidas como prioritárias para a construção das obras pela Secretaria de Estado da Saúde.
O chefe da Defesa Civil de Santa Catarina disse que os valores dos próximos hospitais devem ser parecidos com o do hospital de Itajaí. O financiamento, segundo o governo, é que poderá sofrer alterações.
A Defesa Civil realizará um pregão presencial para tomada de preços. A origem dos recursos pode vir do Governo Federal, por financiamento do BNDES ou até mesmo de recursos próprios.
Sessão da Alesc discute construção do hospital
Na sessão virtual da Comissão de Saúde da Alesc, os deputados questionaram o secretário de Estado da Saúde, Helton Zeferino, sobre o hospital de campanha. Eles queriam saber o porquê de o hospital ser construído em Itajaí e não na Capital, onde há o maior número de casos, e qual o motivo de o hospital catarinense ser mais caro que o instalado em Goiás.
O secretário Zeferino explicou que o hospital de campanha não será instalado em Florianópolis porque a região tem hospitais da rede com leitos de UTI e em Itajaí a unidade hospitalar atenderá outra região do Estado.
Quanto ao custo do hospital local e ao do estado goiano, o secretário disse que a futura unidade catarinense terá 100 leitos de UTI e que a Águas Lindas de Goiás possui 40 leitos, os demais são de internação.
O custo do hospital goiano é de R$ 10 milhões e o de Santa Catarina R$ 76 milhões. O hospital de Itajaí, segundo explicação do secretário, inclui equipamentos, alimentação e contratação de pessoal.
Nesta quarta-feira uma nova sabatina ocorrerá na Alesc. Além do Secretário Helton Zeferino, o chefe da Defesa Civil também participará da sessão. O objetivo, segundo os deputados, é que o processo licitatório seja explicado novamente.



















