Donos das residências onde ocorreram festas particulares em Florianópolis podem ser punidos criminalmente

Polícia tenta identificar responsáveis por festas realizadas em Florianópolis durante pandemia. CRM apura participação de médicos. Eventos estão proibidos em SC por causa do coronavírus.

Pessoas foram vistas se aglomerando e se abraçando nas ruas nos Ingleses — Foto: Reprodução

“Vamos identificar, fazer encaminhamento ao Ministério Público para eventuais processos criminais contra essas pessoas”, afirmou o prefeito Gean Loureiro (sem partido).

O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) informou a reportagem que está em contato com a prefeitura e a polícia e que deve dar encaminhamentos aos procedimentos legais assim que receber notificações.

O Conselho Regional de Medicina (CRM) está apurando a possível participação de médicos nesses eventos e informou que vai “tomar providências”. No entanto, não foi detalhado quais serão elas quantos médicos estariam participando das festas.

As denúncias são de que em pelo menos três bairros da capital ocorreram festas particulares no fim de semana: Jurerê Internacional, Lagoa da Conceição e Cacupé.

Há suspeita que festas e encontros com música alta tenham sido realizados também em outros locais, como nos Ingleses, no Norte da Ilha. Um vídeo mostra pessoas na rua aglomeradas, algumas delas se abraçando. Nenhuma delas usava máscara.

A Polícia Militar recebeu entre quinta-feira (30) e domingo (3) ao menos 22 denúncias de pertubação de sossego por festas particulares irregulares só na capital. A multa aplicada pela Vigilância Sanitária municipal pode ser de até R$2,5 mil.

“Não vamos tolerar esse tipo de desrespeito às nossas normas sanitárias. O risco não é somente de quem estava na festa, mas de toda a cidade”, reforçou o prefeito de Florianópolis em sua rede social

Estabelecimentos fechados

Mais de 2,1 mil estabelecimentos foram notificados em Santa Catarina por desrespeitarem as normais de distanciamento social, além de não haver uso de máscara entre os frequentadores do local. Desses, 165 locais foram fechados.

Restrições a atividades econômicas impactaram na arrecadação municipal – Foto: Ricardo Wolffenbüttel/Divulgação

“Ausência de máscaras em todos os ocupantes dos lugares, a ausência de mecanismo para controle de acesso e a falta de sinalização para a regras de ocupação”, explica o comandante da PM, coronel Araújo Gomes, sobre as principais irregularidades encontradas.

A Câmara de Dirigentes Logistas (CDL) de Balneário Camboriú, onde bares foram fechados no último fim de semana, reforça o apelo para que os estabelecimentos cumpram as regras, não abram exceção e forneçam máscaras, caso necessário, para quem chegar ao local sem.

“Protocolos de segurança só funcionam se forem seguidos por todos, é nossa garantia para não voltarmos a uma quarentena”, alerta Vilton João dos Santos, presidente da CDL.

Em Chapecó, no Oeste, a Polícia Militar também interrompeu festas particulares no fim de semana e locais públicos foram fechados na cidade pela prefeitura para que haja respeito ao cumprimento do isolamento social. Um disque-denúncia foi lançado pelo município.

Em coletiva, o prefeito Luciano Buligon (PSL) reforçou que quem estiver contaminado e não ficar em isolamento pode ser preso.

Em Santa Catarina o uso de máscaras é obrigatório em qualquer local, e em algumas cidades é obrigatório também na rua. Além disso, mesmo usando o item, é necessário manter distanciamento social e procurar ficar em casa.

Especialistas alertam que até visitas para a família, por exemplo, são arriscadas pois alguém pode ter Covid-19, ser assintomático e passar o coronavírus para outra pessoa, e esta vir a manifestar a doença de forma grave, precisando de internação.