Após ameaças, linha é alterada e câmeras de segurança de ônibus são retiradas em Florianópolis

Polícia Militar admite falta de monitoramento em 3 linhas de ônibus de Florianópolis. Foto: Divulgação/ PMF

Pelo menos 11 ônibus do transporte público da Grande Florianópolis foram depredados durante o carnaval. Cinco são do Consórcio Fênix, que tem câmeras em várias linhas para ajudar na segurança, mas alguns estão sem esse sistema. Em entrevista à CBN Diário, o secretário de Transportes da capital, Marcelo Roberto da Silva, disse que equipamentos foram retirados após ameaças, sofridas inclusive por ele, e que uma das linhas precisou ser alterada.

No Maciço do Morro da Cruz, por exemplo, de sete linhas, só quatro contam com o monitoramento. A informação foi dada pelo comandante da 1ª Região da Polícia Militar de Santa Catarina, coronel Marcelo Pontes, também em entrevista à CBN Diário.

“Daquelas 7 que tinham ano passado, hoje são 3 apenas, né. Aqui no Maciço do Morro da Cruz que a gente está acompanhando pra ver o que está acontecendo, pra tentar acabar com essa situação de depredação que acaba acontecendo”, disse o policial comandante da primeira região da O-SC.

O oficial declarou ainda que é preciso usar a inteligência. “Porque só a parte preventiva, em alguns casos, não resolve, senão teria que colocar um policial acompanhando todos os ônibus a todo o momento, e isso não tem como. A gente tem que identificar quem são as pessoas, trazer a comunidade pra discutir, porque também é importante que isso tenha que ser visto como monitoramento”, declarou.

Câmeras retiradas

O secretário de Transportes disse que muitas câmeras foram retiradas depois de ameaças de pessoas ligadas ao tráfico, o que fez até com que uma linha precisasse mudar a rota. Revelou ainda que houve ameaças de morte, inclusive contra ele.

Segundo o secretário, no final de 2018, foram recebidos 16 ônibus novos que iriam operar especificamente nas linhas de morro e que na mesma época o prefeito Gean Loureiro convocou uma reunião com o Ministério Público de Santa Catarina, e polícias Civil e Militar. “Encaminhamos um relatório pra eles, foi feito todo um serviço de inteligência também, para que fossem identificados esses infratores”, disse.

Sobre os equipamentos de monitoramento, ele disse que a remoção de parte delas foi necessária. “Inicialmente retiramos as câmeras porque estava muito complicado, era uma questão de segurança para o próprio motorista e cobrador que faziam as linhas, né, como também para aqueles usuários que não tinham qualquer intervenção, qualquer relação com o tráfico. E nos prejudicou bastante”, declarou.

A mudança de uma das rotas foi feita por questões de segurança, informou. “E no caso, por exemplo, de uma linha específica, lá da Chico Mendes, nós inclusive tivemos que alterar o itinerário da linha, não podendo mais passar por dentro da comunidade porque isso ficou muito complicado, com ameaça de morte não só para motoristas e cobradores, né, até mesmo na minha pessoa também”, disse.

Ainda à CBN, o comandante Marcelo Pontes ainda disse que não tinha conhecimento sobre essa linha da Chico Mendes que precisou ter o itinerário alterado.

Fonte: G1 SC