A pé, diretora de escola de Garuva leva livros, comida e esperança a alunos durante pandemia

Cleusa Vargas de Araújo visita 54 famílias de Garuva. 'Não podemos abandonar', explica.

Diretora e ajudante às margens da BR-101 em Garuva — Foto: Reprodução

Em meio a pandemia e ao isolamento social com aulas pela internet, alunos e professores tentam de alguma maneira estar conectados. Mas em Garuva, no Norte catarinense, a diretora da Escola Municipal Maria Martins Budal foi além, após se deparar com a dificuldade dos alunos para estudar. Cleusa Vargas de Araújo resolveu ir a pé até a casa das famílias deles para levar as atividades, alimentos e palavras de conforto.

“Não pode se acomodar. Tem criança já passando necessidade, o pai desempregado, a mãe desempregada. São crianças tuas, passamos o dia inteiro com elas, passamos a parte da manhã e da tarde. São seres que fazem parte da família, tu não pode abandonar, tu tens que ir atrás”, disse.

Cleusa tentou contato com os pais por meio de aplicativo de troca de mensagens e não recebeu respostas. Preocupada, ela resolveu ir verificar o que estava acontecendo e passou a fazer visitas nas casas de 54 famílias acompanhada de uma ajudante.

As duas percorrem a pé e com todos os cuidados necessários, um trecho da BR-101 e levam alimentos do kit merenda para as refeições das crianças e também livros didáticos.

A mãe de Gabriel de 6 anos, Dara Lúcia Budal, está desempregada e agradeceu a ajuda de Cleusa. “Para comer é o que eles dão da escola. Eu até me apertei pra pegar uma cesta básica nesse mês, daí logo depois ela trouxe a merenda”, disse.

Famílias recebem kit merenda e livros — Foto: Reprodução

Para a dona de casa Thayna Cristina Alegro, mãe do Matheus de 3 anos, a ajuda com os alimentos e livros são consideradas essenciais nesse momento. “A diretora é um anjo, ajuda meu filho. Cada vez que ela vem fala que ele vai voltar para a escola. Dá conforto pra gente, fala ficarmos em casa e não sair com as crianças”.

Cleusa afirma que irá seguir prestando o apoio aos alunos durante esse período de quarentena. “É muito gratificante, não tem dinheiro nenhum no mundo que pague isso, até Deus mandar, minhas pernas funcionar, eu vou até o fim”.

Cleusa vai até a casa dos estudantes para levar comida e livros — Foto: Reprodução