Wellington sugere “tratamento preferencial do Governo Federal” às novas fronteiras agrícolas

wellington sugere “tratamento preferencial do governo federal” às novas fronteiras agrícolas

Durante entrevista ao programa Assunto de Estado, da TV Senado, o senador Wellington Fagundes (PR-MT) afirmou que não adianta abrir novas fronteiras agrícolas, se elas não forem tratadas como prioridade pelo Governo Federal. Para ele, investir em infraestrutura – tanto no trajeto entre a área de produção e os portos de escoamento, quanto nas próprias cidades com potencial produtivo – é fundamental para reduzir custos e desenvolver a população dos Estados exportadores.
“Não há como chegar duas, três mil pessoas para investir, produzir, plantar, colher e até mesmo executar obras em um município, sem que haja a devida infraestrutura médico-hospitalar, habitacional e educação para dar o suporte necessário”, destacou Wellington Fagundes.
O ministério da Agricultura (MAPA) prevê que, na safra deste ano, Mato Grosso produza 52 milhões de toneladas de grãos. “Mas ainda não temos as condições necessárias para transportar esses produtos e principalmente ampliar o mercado produtor e exportador. Para se ter uma ideia, 40% do custo final dos produtos agrícolas está no transporte até os portos”, lamentou Fagundes.
Até 2026, segundo dados do MAPA, a produção de soja deve crescer 39% somente em Mato Grosso. Além disso, o Estado deve colher 30% de toda a produção de milho do país. “Mas quando você tem uma carga concentrada (como é a produção agrícola), não há capacidade de planejar escoamento da produção durante todo o ano. Isso concentra a entrega da produção dessa carga em um período muito curto. Por isso, também ressalto a necessidade de atenção também à ampliação dos espaços de armazenagem para nossos produtos”, acrescentou o republicano.
Mato Grosso ainda possui uma área considerável a ser expandida para fortalecer a balança comercial brasileira. Aproximadamente 60% do território mato-grossense está preservado e, somente na região do Araguaia, existem 4 milhões de hectares disponíveis para o plantio, sem prejudicar o meio ambiente. Sobre o assunto, Wellington afirma que quando se cria uma cidade nova, uma nova fronteira agrícola, é imperativo que haja nesses municípios uma infraestrutura social, de atendimento ao cidadão.
Segurança Jurídica – O parlamentar, que está na Rússia em missão para tratar de assuntos que envolvem a logística nacional e futuras parcerias entre os dois países, acrescentou que o Brasil precisa garantir segurança jurídica antes de quaisquer relações comerciais. Ele deu como exemplo o Canal do Panamá – uma concessão de 100 anos de prazo, onde foram respeitadas as normas jurídicas, “como deveria ser”.
Wellington é autor da PEC 39/2015, que faz com que a política de concessões do Executivo passe a ser de Estado, e não somente de Governo – passível de descontinuidade a cada eleição. “Temos que criar um compromisso constitucional. Na maioria das concessões, hoje, as empresas ameaçam abandonar por falta de segurança. E o pior, o comprador de fora do país – que tem muito dinheiro para investir – não o faz por falta dessa mesma insegurança”, completou o senador.