O senador Wellington Fagundes, líder do Partido da República no Senado, reiterou nesta quarta-feira, 14, a necessidade de debater a proposta de ‘impeachment’, da presidente Dilma Rousseff, cujo pedido foi acatado pelo presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Porém, pediu celeridade e “muita responsabilidade” na condução das discussões.
Da tribuna do Plenário, Wellington fez um apelo à ‘união nacional’, e disse que é preciso urgência nas ações, de forma a evitar que o Brasil não sofra uma paralisação que, segundo ele, só causaria prejuízos maiores a todos, em especial à classe trabalhadora. “Não podemos fazer desse trâmite um ‘processo traumático’. Temos que observar todos os ritos processuais” – frisou. Ele destacou que nesta quarta-feira, 16, o Supremo Tribunal Federal deverá se manifestar sobre o rito para que haja mais clareza. “Por isso, não podemos fazer disso uma luta pessoal ou partidária. Nós queremos o melhor para o País” – frisou.
Com a experiência de ter participado do processo de impeachment do ex-presidente Fernando Collor de Mello, atual senador pelo PTB-AL, Fagundes destacou que o Brasil vive uma crise política e uma crise econômica ao mesmo tempo e enfatizou que a adversidade política “acaba aprofundando muito mais a crise econômica”. Por isso, segundo ele, é necessário dar satisfação à população brasileira, de forma célere, para que aconteçam as mudanças que o País realmente precisa.
O líder republicano lembrou que na semana passada, na residência oficial do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), em reunião com o ex-ministro da Fazenda do presidente José Sarney, Maílson da Nóbrega, foram discutidos os caminhos que o Brasil tomou ao longo de sua história. Na ocasião, Maílson disse de forma clara – segundo o senador -, que o impeachment motivado apenas pelas chamadas ‘pedaladas’ “não tem embasamento legal suficiente”.
Segundo a peça acatada por Eduardo Cunha, o encaminhamento do impedimento da presidente tem como base as eventuais pedaladas de 2015. “E o ano nem encerrou ainda. 2015 não foi nem apreciado pelo Tribunal de Contas, que só poderá fazê-lo após encerrar o balanço, rementendo-o depois aqui para o Congresso Nacional” – observou.
Em seguida, o senador prosseguiu: “está ruim, precisa melhorar. A presidente precisa ser mais humilde, precisa buscar um apoio parlamentar consistente” – disse, ao criticar a atual modelo político brasileiro.
Ainda com base na discussão sobre a conjuntura econômica e política com o ex-ministro Maílson da Nóbrega, Wellington enfatizou a necessidade de avançar nos debates de maior profundidade e de interesse nacional, como a questão da Previdência Social. Alertou, inclusive, que se não houver as correções necessárias e urgentes, “a Nação ficará ingovernável”.
REFORMAS – Na avaliação do líder do PR no Senado, o embate político prolongado tem inviabilizado as reformas prometidas pelos candidatos que disputaram a Presidência da República no ano passado. Segundo ele, todos prometeram que iriam fazer reformas, “mas infelizmente, mais uma vez, elas não aconteceram”. Ele citou, entre outras, as reformas tributária e política que, por serem de grande impacto, teriam de serem feitas principalmente no primeiro ano de Governo.
BRASIL QUE DÁ CERTO – Wellington destacou que “enquanto o Brasil se consome em uma crise política sem precedentes que encaminha a Nação a uma paralisia extremamente preocupante”, o setor rural em Mato Grosso trabalha para gerar oportunidades e o crescimento econômico.
Ao falar “do Brasil que dá certo”, ele lembrou que a exportação de soja ficou 8,2% maior em comparação com o mesmo mês do ano anterior, totalizando US$ 6,6 bilhões. Também enfatizou a potencialidade do Estado na pecuária. “Portanto, estamos diante de um Brasil diferente, de um Brasil expressivo que dá resultados altamente satisfatórios” – disse. Esses resultados, segundo ele, “ocorrem pela força do trabalho e da vontade de crescer do nosso povo”.
Aparteado pelos senadores Paulo Paim (PT-RS) e Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN), que destacaram seu equilíbrio expositivo, Wellington se disse, contudo, otimista: “Havemos de superar a crise política, de encontrar as saídas e as soluções que farão com que esta Nação tão forte, rica, poderosa, formada por homens e mulheres de grande fibra e vontade de vencer, reencontre-se em toda a sua plenitude”. E finalizou: “Mato Grosso e sua gente empreendedora tem dado mostras efetivas de que crise se resolve com trabalho e dedicação”.

















