TRF4 determina volta de Gean Loureiro ao cargo de prefeito de Florianópolis

Desembargador revogou medidas cautelares contra o gestor. Operação da PF investigou vazamento de operações policiais.

Foto: Reprodução Redes Sociais

O desembargador federal Leandro Paulsen, do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), revogou nesta segunda-feira (24) as medidas cautelares contra o prefeito de Florianópolis, Gean Loureiro (sem partido). A decisão permite a volta dele ao cargo de chefe do Executivo municipal. 

Loureiro chegou a ser preso no dia 18 de junho, durante a Operação Chabu, da Polícia Federal, que apura o vazamento de informações sigilosas de operações policiais. Outras seis pessoas foram presas temporariamente, sendo que todas já estão em liberdade. Foram cumpridos ainda 23 mandados de busca e apreensão.

Além do prefeito, também são investigados empresários e servidores da Polícia Federal e da Polícia Rodoviária Federal (PRF).

Na decisão, o desembargador considerou que “nenhum novo elemento surgiu” durante busca e apreensão e determina o retorno imediato dele ao exercício do mandato. O Ministério Público Federal (MPF) fez manifestação favorável ao retorno de Loureiro ao cargo. Já PF foi contra.

Prisão de Loureiro

O prefeito ficou menos de 24 horas preso e foi liberado após prestar depoimento. Durante o afastamento de Loureiro, o vice-prefeito, João Batista Nunes (PSDB), assumiu interinamente. O motivo da prisão não foi informado pelo TRF4. O prefeito também nega irregularidades.

Operação Chabu

A PF apurou, após análises dos materiais apreendidos durante a Operação Eclipse, em agosto de 2018, que o grupo suspeito construiu uma rede composta por um núcleo político, empresários e servidores da PF e da PRF lotados em setores de inteligência e investigação, com o objetivo de atrapalhar investigações em curso. A ideia era proteger os políticos envolvidos em troca de vantagens financeiras e políticas.

Além de vazar informações, o grupo é suspeito também de contrabando de equipamentos de contra inteligência para montar ‘salas seguras’ à prova de monitoramento em órgãos públicos e empresas, segundo a PF.

Os investigados são suspeitos de associação criminosa, corrupção passiva, violação de sigilo funcional, tráfico de influência, corrupção ativa, e tentativa de interferir em investigação penal que envolva organização criminosa.

O nome “Chabu” significa dar problema, dar errado, falha no sistema, usado comumente em festas juninas quando falham fogos de artifício. Conforme a PF, o termo era empregado por alguns dos investigados para avisar da existência de operações policiais que viriam a ocorre