Três trechos de BRs em MT devem ser concedidos à iniciativa privada

A nova fase do Programa de Investimento em Logística (PIL) anunciada nesta terça-feira (9) pelo governo federal prevê a concessão à iniciativa privada de três trechos das BRs 163 e 364, e de dois trechos de ferrovias em Mato Grosso, até o ano que vem. Com o programa, o governo deve leiloar aeroportos, portos, rodovias e ferrovias no país.

Dos R$ 198,4 bilhões estimados pelo governo em investimentos por parte da iniciativa privada para todas as obras, R$ 66,1 bilhões devem ser aplicados na modernização (duplicação e melhorias) de rodovias federais. Serão R$ 66,1 bilhões em rodovias, R$ 86,4 bilhões em ferrovias, R$ 37,4 bilhões em portos e R$ 8,5 bilhões em aeroportos.

Neste ano, devem ser concedidos dois trechos de rodovias que passam por Mato Grosso. Um deles é o trecho da BR-364 e BR-060, que liga o estado a Goiás. Com início em Rondonópolis e Alto Araguaia, no estado, a rodovia passa por Jataí, Rio Verde e Goiânia, em Goiás. A extensão do trecho é de 704 km e o investimento estimado é de R$ 4,1 bilhões. O objetivo desta obra é facilitar o escoamento da produção do Centro-Oeste para portos dos Arcos Norte e Sul.

Já o trecho da BR-163 que liga Sinop, região Norte de Mato Grosso, a Itaituba, no Pará, onde fica o Porto de Miritituba, tem uma extensão de 976 km e deve receber um investimento estimado em R$ 6,6 bilhões. A conclusão do trecho deve aumentar o escoamento de grãos pelos portos do Arco Norte.

Segundo o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), em 2014 foram exportadas por Vila do Conde através do Porto de Miritutuba 624 mil toneladas de soja e 73 mil toneladas de milho de Mato Grosso. Para 2015, espera-se que sejam exportados 3,5 milhões de toneladas entre milho e soja pelo porto.

No ano que vem, deve ser leiloado outro trecho, na BR-364, que ligará Comodoro, na região Oeste de Mato Grosso, passando por Vilhena e chegando a Porto Velho, em Rondônia. A extensão do trecho é de 806 km e tem um investimento estimado de R$ 6,3 bilhões. A finalidade é melhorar a integração das regiões produtoras de grãos de Mato Grosso e de Rondônia até a hidrovia do Rio Madeira.

Ainda foram divulgados novos investimentos em concessões existentes avaliados em R$ 15,3 bilhões. Dois projetos estão em andamento e nove trechos de rodovias estão em avaliação, dentre eles a duplicação da BR-163 partindo da divisa de Mato Grosso com Mato Grosso do Sul até Sinop, no Norte de Mato Grosso. O valor estimado para a duplicação do trecho é de aproximadamente R$ 800 milhões.

Na opinião do diretor de Relações Institucionais da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), Rogério Romanini, a decisão do governo em abrir mão da execução das obras de infraestrutura no país foi acertada. "As concessões vieram em uma boa hora. O governo enxergou que, em vez de ficar aguardando esses investimentos, que são muitos, por 20 a 50 anos para fazer sozinho, a concessão é o caminho mais rápido", afirma.

O diretor destaca ainda que as obras previstas para Mato Grosso também vão melhorar o escoamento da produção agrícola que começa a despontar na região Oeste do estado, onde tradicionalmente era ocupada pela atividade pecuária. "A lavoura está expandindo na região Oeste, nos municípios de Cáceres, Porto Espiridião, Juara, e estão tendo um resultado muito bom, o pecuarista está diversificando", diz. Para ele, as concessões são louváveis, visto que é uma necessidade para os produtores de Mato Grosso.

"Nosso maior problema é o escoamento de grãos e a cada ano a produção vem aumentando, com os custos aumentando. A tendência agora é que a maioria da soja produzida passe a sair pelo Porto de Miritituba", comenta Romanini.

Ferrovias

Está previsto na nova etapa de concessões de ferrovias o leilão do trecho entre Lucas do Rio Verde, na região Médio-Norte de Mato Grosso, até o Porto de Miritituba, no Pará. A extensão total do trecho é de 1.140 km e o investimento previsto é de R$ 9,9 bilhões. Com a obra, a intenção é melhorar o escoamento da produção agrícola de Mato Grosso pela hidrovia Tapajós.

Com relação à ferrovia Bioceânica, a conclusão do trecho brasileiro de 3,5 mil km deve custar cerca de R$ 40 bilhões. O trecho de Campinorte (GO) a Lucas do Rio Verde (MT) já foi entregue; o trecho de Lucas do Rio Verde até Sapezal (MT), já tem o traçado no projeto. O trecho que vai deste município até Porto Velho (RO) passando por Vilhena (RO), está em andamento e o trecho de Porto Velho até a divisa do Acre com o Peru, passando por Rio Branco (AC), tem um traçado já previsto no projeto.