
A temporada da tainha inicia nesta sexta-feira, 1º de maio, em Santa Catarina. A abertura, entretanto, não terá os tradicionais festejos e missas, cancelados por conta da pandemia da Covid-19. Ainda assim, a expectativa é boa para os cerca de 18 mil trabalhadores envolvidos na atividade, no Estado.
“Estamos muito esperançosos, porque temos informações que lá no [Rio Grande do] Sul já tem peixe. Só falta o vento sul e o frio, se tiver isso temos certeza que vai ser uma boa safra”, diz Ivo Silva, presidente da Fepesc (Federação dos Pescadores do Estado de Santa Catarina).
Para a Federação, a estimativa é de que sejam capturadas entre 1,8 mil e 2
mil toneladas do peixe nesta safra. No ano passado, os resultados ficaram
bem abaixo do esperado, chegando a 1,16 mil toneladas, contra a estimativa
inicial de 2,5 mil toneladas.
Mas os pescadores artesanais não desistem e já se preparam há mais de um
mês para colocar barcos e redes no mar, em todo o litoral catarinense. Dedicados ao conserto dos equipamentos e organização dos ranchos de pesca, eles aguardam o esperado começo de safra com ansiedade.
Para o pescador Laurentino Benedito Neves, da Barra da Lagoa, em
Florianópolis, a expectativa é de boa safra. “O que traz a tainha para o
Norte são as condições climáticas, mas já temos notícias de bastante peixe
no Sul então acredito que vai ser uma boa safra este ano”, diz.
No Campeche, o pescador Amilton Damásio De Andrade afirma que a última rede está sendo consertada e deve ser embarcada nesta sexta. “Ainda deve ventar sul nesta sexta e o mar deve crescer um pouco, vamos esperar acalmar. Mas devemos ter boa safra, já apareceram uns peixinhos”, avisa.
Modalidades e cotas de captura
Há três modalidades para a pesca da tainha. A primeira e mais antiga é a
artesanal, que carrega o título de patrimônio imaterial catarinense desde o
ano passado. É a prática do arrastão das redes nas praias, com embarcações
a remo, não motorizadas. Para esse grupo, a safra vai de 1° de maio a 31 de
dezembro e não há limites de cotas para captura.
Na segunda modalidade, está a frota de emalhe anilhado de Santa Catarina,
que inclui os barcos motorizados artesanais. Esses estão autorizados a
pescar de 15 de maio até 31 de julho, na quantia máxima de 1.196 toneladas
no mar territorial do Sudeste e Sul. Toda a produção dessa frota deverá ser
desembarcada em território catarinense.
Por fim, há os barcos industriais de cerco/traineira, que poderão pescar
entre 1° de junho e 31 de julho. A cota máxima é de 627,8 toneladas do
peixe, com montante individual de 50 toneladas.
Todas as regras foram publicadas pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e
Abastecimento no dia 3 de abril de 2020. O órgão também estabelece as
medidas de monitoramento para controlar a quantia produzida e encerrar a
pesca quando os limites forem atingidos.

Medidas de proteção
Além de torcer por um inverno com bastante frio e vento sul, condições ideais para a aproximação dos cardumes da costa, os trabalhadores também adotam medidas para se proteger contra a contaminação pelo novo coronavírus.
Pescadores e proprietários de barcos terão que usar máscaras, álcool em gel
e manter o distanciamento durante os serviços dentro dos ranchos e até
mesmo dentro dos barcos. Os puxadores de rede precisam manter distância de 1,5 metro entre si na hora de tirar os cardumes do mar.
“Assim que terminar o lanço, todos devem sair. Tem que ter álcool em gel
dentro dos ranchos e só pode ficar o pessoal indispensável, que é o chumbeteiro, o remeiro e o patrão da pesca”, afirma Silva.
No rancho Fada, onde Amilton trabalha na praia do Campeche, foram pintadas as cortiças e cabos, marcando o distanciamento para os puxadores. “Também vamos colocar cartazes avisando para não ter aglomeração, temos álcool gel e todos usarão máscaras, trocando se molhar. E rezar para que ninguém pegue esse vírus e atrapalhe a pesca”, diz.
A fiscalização será feita por 12 fiscais do Sindpesca (Sindicato dos
Pescadores do Estado de Santa Catarina), e quem descumprir as medidas de
proteção poderá ser punido.
Ademais, há preocupação com os mais idosos. Na Barra da Lagoa, o rancho de
Laurentino vai ter pessoas orientando o distanciamento. “A pesca é tradicional e eles gostam de participar, então não vamos deixar de trazê-los à praia, porque já está no sangue a pesca da tainha de arrastão. Então, vamos mantê-los distanciados na praia para evitar aglomeração”, afirma o pescador.



















