Se os esquemas de corrupção encontram meios de se propagarem através das tecnologias, uma das principais formas de combatê-la também consiste no avanço desses sistemas informatizados. Esta foi a essência do painel sobre soluções digitais e o combate à corrupção que fechou o primeiro dia de palestras do III Encontro Nacional sobre Cooperação para Prevenção e Combate à Corrupção. Quatro propostas diferentes envolvendo cases de sucesso foram apresentadas aos aproximadamente 450 participantes do evento sediado pelo Tribunal de Contas de Mato Grosso nesta quinta-feira (25/05).
Um destes mecanismos de combate à corrupção foi apresentado pelo diretor na América Latina da Soluções de Análise de Dados (SAS), Carlos Sovegni. O líder apresentou a empresa especialista no mercado de softwares e serviços de business analytics e que tem disponibilizado seus sistemas de tecnologia a algumas instituições públicas como o Tribunal de Contas da União. Sovegni demonstrou, de acordo com os dados levantados pela empresa, um panorama das tendências globais frente ao combate ao que ele chamou de "crimes colaborativos". "Evoluímos do processo detectivo para o processo preventivo, com 100% do sistema automatizado e de forma a desvendar fraudes com padrões desconhecidos. Desta forma, há mais efetividade no combate à corrupção", definiu.
A auditora federal de controle externo, Mônica Cotrim Chaves, apresentou de que forma, na prática, funcionam os mecanismos de controle digital no âmbito do TCU. Ela ainda fez duras críticas à burocracia que existe para a obtenção de informações mesmo diante da vigência da Lei de Acesso à Informação e enalteceu a boa vontade das instituições que buscaram um relacionamento colaborativo tanto para amenizar os impactos da corrupção, quanto para prevenir fraudes. Atualmente, segundo ela, o TCU possui 60 bases de dados, que subsidiam sistemas como o LabContas, o InfoContas e os sistemas apelidados de Alice (Análise de Licitação de Editais) e Sofia (Sistema de Orientação sobre fatos e indícios para o auditor).
Mato Grosso também fez contribuições ao debate para o enfrentamento em fraudes, sobretudo em contratações e na área tributária. O exemplo foi trazido pelo agente de Tributos Estaduais da Secretaria de Fazenda de Mato Grosso, Rafael da Cruz Araújo Vieira, que demonstrou que na área tributária o Estado tem conseguido detectar empresas de fachada, ao identificar durante processos licitatórios proponentes com perfis de "laranja" e que, eventualmente, viriam causar danos ao erário.
O auditor federal, Rogério Cesar Mateus Corrêa, igualmente fez contribuições demonstrando boas práticas para combater a corrupção nas organizações públicas. O representante do TCU revelou como é feito o trabalho na Secretaria de Relações Institucionais no Combate à Fraude e à Corrupção (SECCOR).
O III Encontro Nacional sobre Cooperação para Prevenção e Combate à Corrupção, promovido pela Rede de Controle de Gestão Pública de Mato Grosso, aconteceu na Escola Superior de Contas, no TCE-MT, entre os dias 25 e 26 de maio.



















