Técnicos da SES irão a Rondonópolis para dar continuidade às investigações

Técnicos da Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Estado de Saúde irão ao município de Rondonópolis nesta terça-feira (01.12) com o objetivo de continuar às investigações dos 54 casos de microcefalia identificados pela equipe do Escritório Regional de Saúde na região Sul do estado. Na última sexta-feira (27), a existência dos casos foi anunciada durante entrevista coletiva.

A equipe técnica deverá ficar até quarta-feira (02) na cidade, onde vai se reunir com a equipe do Escritório Regional de Saúde, com os profissionais do Hospital Santa Casa de Misericórdia e também com os profissionais técnicos de Vigilância Epidemiológica da prefeitura de Rondonópolis. “Este é um caso em que devemos trabalhar em conjunto e notificar o quanto antes o Ministério da Saúde. A notificação de casos de microcefalia é compulsória, ou seja, deve ser realizada imediatamente ao Ministério pelo município. Por este motivo precisamos verificar in loco a situação do por que ainda não foi feita a notificação”, informou a coordenadora de Vigilância Epidemiológica da SES, Flávia Guimarães, que também estará em Rondonópolis.

Ela explicou que os casos foram notificados pelo Escritório Regional de Saúde da regional Sul na última semana de novembro e que a partir de então formou-se um grupo para discutir um plano emergencial de combate ao mosquito Aedes aegypti e também para dar o apoio necessários às mães das crianças com microcefalia e também às gestantes diagnosticadas, principalmente na região de Rondonópolis, e que a ida ao município será para auxiliar a equipe local nas investigações com orientações e também tendo acesso aos prontuários para complementar as informações.

“Nós recebemos no dia 23 de novembro um documento encaminhado pelo Escritório Regional de Saúde nos informando da ocorrência de 54 casos de microcefalia na região de Rondonópolis. Esta informação foi feita por meio de contato da nossa equipe de vigilância epidemiológica do Escritório Regional com os profissionais do Hospital Santa Casa. O escritório foi até o hospital e constatou-se pelos prontuários a ocorrência destes casos. Infelizmente a comunicação com o município foi falha”, ressaltou.

Dos 54 casos registrados, oito já tiveram o diagnóstico confirmado também por exames clínicos e destes, quatro tiveram material biológico colhido para ser encaminhado ao Laboratório Evandro Chagas a fim de confirmar a relação da microcefalia com o Zika Vírus. No sábado (28 de novembro), o Ministério da Saúde emitiu uma nota afirmando a correlação entre o Zika virus e a microcefalia após exames realizados em duas crianças de Pernambuco.

Flávia explicou que a definição ou o diagnóstico de microcefalia pode ser considerado simples, já que é feito com uma fita com a qual é aferida a medida da cabeça da criança. “Verificando que ela é igual ou menor que 33 centímetros, você já pode dizer que é uma microcefalia. Não tem dificuldades em chegar a esta definição. Então, conforme orientação do Ministério da Saúde e tudo o que está sendo veiculado, é dessa forma que se define um caso de microcefalia. Definindo que um caso de microcefalia, é feita a notificação em um site específico para esses casos”, completou.

De acordo com a coordenadora, a partir do momento que foi identificado o caso de microcefalia, surge a necessidade de realizar novos exames para saber qual é a causa da anomalia, que pode ser desde genética até um quadro infeccioso. Então é realizada a investigação clínica, por meio de exames de imagens, de coleta de sangue, urina da criança e dos pais. “É necessário deixar claro que a notificação é o começo deste processo e então aprofunda-se na investigação. A intenção da notificação é informa-la o quanto antes para se iniciar os trabalhos de investigação e chegar às conclusões. Anunciar os casos registrados não é prematuro, pois está se fazendo um alerta. Tem casos que se demora de 30 a 60 dias para concluir. Faz a notificação, fala sobre esse caso como um alerta, dá-se início ao processo de investigação e a conclusão vem posteriormente”, concluiu.