Os americanos poderiam resistir à vigilância maciça na internet se acharem que o governo pode ver suas fotos íntimas, sugeriu o comediante inglês John Oliver ao entrevistar o ex-analista refugiado na Rússia, Edward Snowden.
"Este é o limite mais claro para as pessoas: o governo pode ver meu pênis?", perguntou Oliver, sugerindo que a Agência de Segurança Nacional (NSA) pode ter acesso a e-mails pessoais dos internautas que compartilham fotografias íntimas.
O apresentador de TV conduziu a entrevista com ex-operador da NSA em Moscou para seu programa de domingo "Last Week Tonight".
Snowden, rindo, acompanhou o espírito da entrevista, descrevendo com detalhes como as autoridades poderiam violar a privacidade das pessoas.
"A boa notícia é que não há um programa chamado 'dick pic' (imagem de pênis). A má notícia: sim, ainda continuam reunindo informações, incluindo fotos de seu pênis", respondeu Snowden.
Após os atentados de 11 de setembro de 2001, o presidente dos Estados Unidos George W. Bush assinou o "Patriot Act", uma lei antiterrorismo cujas implicações foram descobertas recentemente pelos americanos em 2013, após as revelações de Snowden sobre a amplitude da coleta de informações por agências de inteligência.
A lei foi alterada nos anos seguintes, e hoje quase todos os elementos tornaram-se permanente, com a notável exceção do famoso "Artigo 215". Este artigo que continuará vigente até junho autoriza a NSA a coletar informações sobre os telefones chamados, duração e horário das comunicações, sem registrar o conteúdo.
Snowden ganha escultura em NY
Em Nova York, um grupo de artistas anônimos esculpiu um busto em bronze de Snowden e colocou a obra em no parque Fort Greene, na região do Brooklyn, na madrugada desta segunda-feira (6).
Após virar notícia, escultura foi coberta com uma lona por funcionários da administração dos parques públicos da cidade americana e retirada do local.
Os Estados Unidos querem julgar Snowden por vazar grande quantidade de informações sobre os programas secretos de vigilância da Agência de Segurança Nacional (NSA, na sigla em inglês). A Rússia se recusou repetidas vezes a extraditá-lo.
Snowden já disse no passado que gostaria de voltar para casa se recebesse garantias de que terá um julgamento justo e tenta negociar seu retorno ao país através de seus advogados.
Figura que provoca divisão de opiniões, Snowden é elogiado por alguns por ter agido em defesa dos direitos civis, mas é condenado por outros por ser considerado um traidor, que colocou em risco a segurança dos EUA.




















