Servidora relata à CPI dificuldade de quitar dívidas de empréstimo consignado

Na proposta de legislação que regule empréstimos consignados, CPI deve sugerir que instituições financeiras tenham escritórios físicos na capital

Na proposta de legislação que regule empréstimos consignados
CPI investiga atuação das empresas e deve sugerir legislação que regulamente concessão de empréstimos Foto: RONALDO MAZZA / ALMT

A principal queixa apontada por servidores públicos, após a contratação de empréstimos consignados, é a dificuldade para se comunicar com as instituições financeiras, pois as empresas não possuem sede em Mato Grosso.

Por isso, o presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Consignados, deputado Guilherme Maluf (PSDB), afirmou na reunião realizada nesta quarta-feira (8) que será determinante na nova legislação proposta que os bancos tenham escritórios pelo menos na capital do estado.

Durante a oitiva dos representantes dos bancos BMG e o Banco Panamericano (atual banco PAN) na reunião de hoje, a CPI foi surpreendida pelo depoimento da servidora aposentada Clélia Alves, de 66 anos, que declarou a dificuldade de se comunicar com o banco BMG após uma contratação de empréstimo feita em 2009.

Conforme Clélia, o contrato inicial foi no valor de  R$ 7 mil, porém ela afirma que já pagou R$ 30 mil e ainda deve à instituição financeira R$ 7 mil. Além de se queixar dos juros abusivos, a aposentada relata sobre os obstáculos para uma possível negociação.

“Um dos problemas mais sérios que eu tenho é conseguir falar com os representantes do banco. Você não consegue falar com ninguém, só um call center. Fica difícil querer resolver”.

“Por exemplo, eu tenho mil reais e quero negociar para diminuir os juros ou parcelar, eu não consigo falar com ninguém”.

“Aqui não tem nenhum escritório representativo. Nós precisamos disso para atender os servidores”, desabafou a aposentada que segue com uma dívida de empréstimo há 9 anos.

Para o presidente da CPI, como Clélia existem outros servidores que possuem a mesma dificuldade para negociar, gerando um estresse muito maior.

Segundo Maluf, isso mostra cada vez mais a necessidade de uma legislação específica que regule empréstimos consignados.

“Será previsto na nossa legislação que a instituição financeira que quiser emprestar consignado no estado de Mato Grosso terá que ter uma agência física, pelo menos em Cuiabá, com um número mínimo de servidores. Essa é uma das principais observações que faremos na nossa proposta”, ressaltou o deputado.

“Isso tem que estar regulado de uma forma harmônica no nosso estado. Hoje temos um decreto, porém volto a falar que essa CPI vai produzir uma legislação que deve substituir esse decreto. Vamos ser pioneiros regulamentando essa operação de oferta e concessão de consignados”, ponderou Maluf.

Nas próximas reuniões, a CPI irá ouvir representantes do Banco do Brasil e do Sicredi. Também serão ouvidos representantes da Câmara Interbancária de Pagamentos (CIP), uma processadora ligada à Secretaria de Estado de Gestão (Seges-MT).