Durante três dias, Cuiabá sediou o VII Seminário de Energia, realizado pelo Sindicato da Construção, Geração, Transmissão e Distribuição de Energia e Gás do Estado de Mato Grosso (Sindenergia). O evento trouxe palestras, mesa redonda, mini cursos e visita técnica na PCH São Tadeu. O tema central foi a geração de energia sustentável e o potencial do Estado.
Mato Grosso é um Estado que pode fornecer energia barata e renovável para o país, pois possui enorme potência e bens naturais para geração de energia sustentável, como o Sol forte, a biomassa, estar situado nas duas maiores bacias hidrográficas do Brasil (Amazônia e Araguaia) e ter o privilégio de conter um canal de gás natural.
José Antônio Mesquita é presidente do Sindenergia. Para ele, é de extrema necessidade “provocar” o Governo do Estado para que mais investimentos sejam realizados no setor energético. O Brasil consome 82% da sua energia totalmente renovável, que contribui para a não emissão de CO2.
“Estamos com 32% a nível mundial em relação a emissão de gás porque geramos energia sustentável. Mato Grosso tem muita potência, e no seminário discutimos qual a melhor matriz energética e o que o Estado pode gerar. Esse seminário foi para buscar com o Governo uma política para o setor. E já foi feito um compromisso de nos dar uma resposta nos próximos meses”, disse o presidente.
Entre os temas tratados, os mini cursos abordaram as formas de comprar energia do mercado livre, saindo do mercado cativo. Todos os dias de seminário foram de auditório lotado. Houve também a participação de estudantes, que puderam conhecer mais sobre a geração de energia sustentável. “Trouxemos doutores da USP (Universidade de São Paulo) que explicaram para não engenheiros o setor energético”.
A PCH São Tadeu I (localizada em Santo Antônio do Leverger) tem capacidade de 18 MW de forma sustentável. De acordo com o presidente, há um lago de pesca às margens da represa. “Nós somos preservadores e não destruidores”, disse ele.
O empresário Deladier Caporossi faz estudos de proteção e atua no mercado livre de energia elétrica. Para ele, o seminário trouxe novas oportunidades de incentivo à geração de energia no mercado livre. Segundo ele, as pessoas ficam receosas de sair do mercado cativo para ir para o mercado livre por não conhecerem o setor.
Os consumidores cativos são aqueles que compram a energia das concessionárias de distribuição. Cada unidade consumidora paga apenas uma fatura de energia por mês, incluindo o serviço de distribuição e a geração da energia, e as tarifas são reguladas pelo Governo.
Já os consumidores livres compram energia diretamente dos geradores ou comercializadores, através de contratos bilaterais com condições livremente negociadas, como preço, prazo, volume, etc.
“O Sindenergia está de parabéns por promover esse seminário. Mato Grosso tem um potencial muito grande, agora basta o Governo fazer os incentivos fiscais que se precisa para estimular a população a aderir essa energia limpa”.
A estudante do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Mato Grosso (IFMT) Tainá Kersul, disse que ficou satisfeita com os conteúdos dos seminários, principalmente pelo fato de as linguagens utilizadas pelos palestrantes não serem exageradamente técnicas, o que possibilitou a rápida compreensão dos não engenheiros.
“Achei o mini curso interessante porque eu não tinha muito conhecimento de como acontece a geração de energia e os tipos de usinas. O curso foi bem simples, e a linguagem também, por isso indico para outros estudantes que participem”, disse ela.
O Sindenergia promove todos os anos o seminário. Este ano ocorreu entre os dias 23 a 25 de maio, no auditório da Federação das Indústrias no estado de Mato Grosso (FIEMT), em Cuiabá.



















