O secretário de Saúde de Santa Catarina, Helton Zeferino, disse nesta quarta-feira (8), em entrevista ao Jornal do Almoço, que estudos ainda não finalizados indicam uma diminuição da curva de acentuação dos contágios por coronavírus no estado, mas que deve haver um aumento “exponencial” na quantidade de casos a partir da segunda quinzena de abril. Ele reiterou que a recomendação do governo é que a população fique em casa para evitar a transmissão da Covid-19.
No estado, já são 15 os mortos pelo vírus e 457 pacientes com a doença, e a quarentena foi prorrogada até o dia 13. Além dos setores considerados essenciais, podem funcionar as áreas da construção civil, dos corretores de imóveis, lojas que vendem chocolate, a cadeia de manutenção automotiva, e cartórios. Estão liberados ainda os profissionais liberais e autônomos.
Zeferino afirmou que as decisões tomadas pelo retorno “seguro” de algumas atividades ocorreram com apoio de corpo técnico, partindo da premissa de que é preciso ter um processo de convívio com a doença.
“Trabalhamos com técnicos, profissionais no que diz respeito à Vigilância Epidemiológica, rede hospitalar, da parte de números, parte matemática. Isso faz com que tenhamos alguns regramentos. Mas a máxima é: se puder, não saia de casa. No momento em que temos algumas atividades retomadas, isso não quer dizer que as pessoas tenham que retornar às ruas”, declarou.
Zeferino reconheceu que existe subnotificação de casos, porque as amostras que chegam ao Laboratório Central de Saúde (Lacen), são dos pacientes que deram entrada em hospitais ou que tiveram contato com pessoas positivadas para a doença, assim como gestantes, pessoas de baixa imunidade e com síndrome gripal mais severa.
“Todos esses fazem parte da coleta de amostras que chegam ao Laboratório Central. Tem uma boa parcela que não está sendo testada. Então trabalhamos com modelagem estatística, para que possa ter uma ideia desse cenário mesmo quando não tem essa capacidade operacional para testagem”, explicou o secretário.
Ele disse que a previsão é que haja um “aumento exponencial” de casos, principalmente nas cidades onde foi verificada maior quantidade de pacientes neste momento. Zeferino reforçou que é importante o comportamento da população, no sentido de respeitar o isolamento social, para que o governo do estado consiga ter capacidade hospitalar para fazer frente à demanda. “É um momento para ficar em casa, e sair somente quando for necessário”, declarou.
Em relação a leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), há 210 novos leitos em hospitais e mais 76 estão bloqueados para atendimento de pessoas com coronavírus, informou. No momento, há 170 livres.
A meta é que chegar a 713 leitos de UTI dentro de unidades hospitalares, disse ele. A quantidade deve crescer com os hospitais de campanha, segundo o secretário, podendo chegar a mil.
Outros 76 leitos de UTI no estado estão bloqueados para atendimento de pessoas com coronavírus, informou. Em Santa Catarina, 50 pessoas estão internadas na UTI com Covid-19, e 63 hospitalizados em terapia intensiva por suspeita da infecção.
“Quando a pandemia começou, a taxa era de 1,15 leitos para cada 10 mil habitantes. Agora, é de 1,47. Vamos chegar a 2,17 com mais leitos em hospitais, podendo chegar a 3,6 se contarmos com os dos hospitais de campanha”, explicou.
Sobre a situação da capital catarinense, cidade onde há a maior quantidade de casos da doença em Santa Catarina, contabilizando mais de 110, Zeferino disse que foram disponibilizados mais leitos no Hospital Universitário, Hospital Celso Ramos, Hospital Florianópolis, Hospital Nereu Ramos, e Hospital Regional de São José, na Grande Florianópolis.
Morte de músico
Sobre o caso do músico de 34 anos morto por Covid-19 e cuja família afirma que a vítima foi hospitalizada inicialmente por amidalite, Zeferino disse que é necessário analisar o ocorrido e que o estado em investido em capacitação para evitar erros de diagnóstico. “Precisamos avaliar o que ocorreu naquele hospital”, declarou.
A mulher do paciente disse que após ser liberado da internação, o marido foi para casa e depois foi internado com sintomas respiratórios e encaminhado para a UTI.




















