
Com uma taxa de letalidade de cerca de 3,6%, o novo coronavírus ainda carece de muitos estudos para determinar se é possível ou não uma pessoa se reinfectar ou transmitir o vírus, após ter tido a doença.
A dúvida surge, especialmente, após um japonês de aproximadamente 70 anos ter se recuperado e voltado à vida normal, mas dias depois voltar a apresentar febre e sintomas da doença. Ao refazer o teste, deu positivo.
Será que é possível ser reinfectado pelo novo coronavírus? Ou ele apenas estava em latência, com níveis abaixo dos detectados pelo teste?
Para o professor de Microbiologia, Imunologia e Parasitologia da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), Daniel Santos Mansur, há pelo menos duas possibilidades.
Uma é a de que o vírus possa ficar alojado em algum lugar do corpo, em estado de latência. “Isso acontece com o zika vírus, por exemplo, que fica alojado no testículo. Outro exemplo mais comum, é o herpes labial: uma vez que você pega (normalmente quando é criança), o vírus fica com você pelo resto da vida, e quando a imunidade baixa você tem a ferida labial”, explica.
“Mas o coronavírus é novo, não sabemos se ele faz isso ainda”, conclui. E, mesmo se o coronavírus ficasse latente, o que é apenas uma suposição, não se sabe se esse paciente poderia ou não infectar outras pessoas.
Outra possibilidade seria a de que a covid-19, doença causada pelo novo coronavírus, não tenha sido 100% tratado, havendo apenas melhoras nos sintomas.
“A pessoa é considerada curada quando testa negativo. Mas pode haver um falso negativo, por exemplo, com contagem abaixo do limite de detecção da técnica usada para detectar o vírus (que é muito sensível, por sinal). Estamos no meio de uma pandemia, vão haver erros no processo”, afirma o professor.
Quarentena é de 14 dias
De acordo com o secretário de Estado da Saúde, Helton de Souza Zeferino, o ciclo viral da Covid-19 é de cerca de 14 dias. Portanto, a recomendação atual é de que uma pessoa testada positiva para a doença deve permanecer em isolamento (em casa ou em alguma unidade de saúde se o caso for mais grave) por esse período de tempo.
Após esse período, se estiver sem sintomas, pode voltar à vida normal. Ainda assim, deve tomar os cuidados indicados para todos: lavar as mãos, evitar proximidade com outras pessoas e obedecer às normas vigentes de restrição de mobilidade.
“O coronavírus é mutante, não temos vacina. Se uma pessoa estiver curada e entrar em contato com a mesma tipologia do vírus, estará imunizada. Porém, se houver alguma mutação [do vírus], ela poderia se reinfectar com essa nova tipologia de coronavírus. Sendo assim, os cuidados têm que permanecer, mesmo que ela já tenha passado pela doença”, afirma o secretário.


















