Réus da chacina de Canasvieiras são ouvidos no Fórum de Florianópolis

Chacina que vitimou cinco pessoas ocorreu em um dos apartamentos do hotel Venice Beach. Foto: Duivulgação

Os três acusados de matar uma família em um apart-hotel em Florianópolis, em julho de 2018 são ouvidos em audiência de instrução e julgamento na tarde desta terça-feira (26) na capital catarinense. Agora, conforme o Poder Judiciário catarinense, o processo entrou na fase de alegações finais. Depois, a Justiça decidirá se eles serão julgados em júri popular.

Francisco José da Silva Neto, Ivan Gregory Barbosa de Oliveira e Michelangelo Alves Lopes respondem por homicídio qualificado por motivo torpe, emprego de asfixia e sem chance de defesa para as vítimas, furto qualificado por participação de mais de uma pessoa, roubo e fraude processual.

O advogado de Michelangelo, Marcos Aurélio de Melo, informou que o réu manteve o que disse à polícia: que foi convidado para fazer um furto e que não era para ter ninguém no apart-hotel. Também afirmou que não viu ninguém ser morto.

G1 tenta contato com a defensora pública Fernanda Mambrini, que defende Ivan de Oliveira, e o advogado Jackson Seilonski, que defende Francisco Neto.

Além dos acusados, também foi ouvida uma testemunhas defesa, conforme o Poder Judiciário. A audiência durou 1h40 e teve também participação do Ministério Público de Santa Catarina.

A segunda audiência do caso ocorreu em 3 de dezembro, quando as testemunhas foram ouvidas. Em 14 de janeiro, foi designado o interrogatório de acusados e oitiva de uma testemunha. Na mesma data, foi marcada esta audiência de instrução e julgamento, na sala de audiências da Vara do Tribunal do Júri.

Todos os três réus estão presos na capital catarinense. Ainda em setembro de 2018, as prisões preventivas foram convertidas em temporárias dos três acusados.

Chacina

A chacina ocorreu em 6 de julho. Encapuzados e usando luvas, três homens armados chegaram ao apart-hotel, em Canasvieiras, na tarde de 5 de julho e renderam seis pessoas. As vítimas foram amarradas e, com exceção de uma funcionária, que conseguiu fugir, foram torturadas e mortas por asfixia.

Morreram o empresário Paulo Gaspar Lemos, 78, e os três filhos dele: o também empresário Leandro Lemos, de 44 anos, Paulo Gaspar Lemos Junior, 51, que tinha deficiência intelectual, e a artesã Katya Gaspar Lemos, de 50. Ricardo Lora, 39, sócio da família, também foi assassinado. Com exceção de Leandro, todos viviam no apart-hotel, que era da família Lemos.

Conforme as investigações, no dia da chacina os três acusados foram até a casa da família para cobrar uma dívida de aproximadamente R$ 40 mil que Leandro teria com Francisco. Além de terem cometido os cinco assassinatos, os criminosos roubaram R$ 10 mil e alguns pertences. O dinheiro ficou com um dos bandidos.

Após a fuga dos assassinos, a funcionária que conseguiu escapar chamou a polícia. Quando chegaram ao local, por volta da 0h30, os policiais encontraram os corpos, de barriga para baixo, espalhados pelos cômodos. Havia gasolina espalhada pelo apart-hotel e nas roupas das vítimas.

As investigações apontam que os cinco mortos foram ainda torturados psicologicamente por oito horas. A Polícia Civil disse que os criminosos facilitaram a fuga da única pessoa que escapou da chacina porque um deles a conhecia.

Fonte: G1