Agora é oficial. A Renault está de volta à Fórmula 1 como equipe própria a partir de 2016. O anúncio foi feito na noite desta quinta-feira pelo presidente do Grupo, o brasileiro Carlos Ghosn. Após quase seis meses de negociações e a assinatura de uma Carta de Intenções em setembro, os principais contratos para a aquisição da equipe Lotus foram assinados. Segundo comunicado divulgado pela montadora francesa, os últimos detalhes serão concluídos o mais breve possível. Antes mesmo do acordo ser finalizado, funcionários da Renault já trabalhavam na fábrica da Lotus, em Enstone, na Inglaterra.
Carlos Ghosn nos boxes da RBR em 2012. Clima entre Renault e time ainda era bom na época (Foto: Getty Images)
– A Renault tinha duas opções: ou voltava 100% ou ia embora. Após um detalhado estudo e decidi que a Renault estará na Fórmula 1, começando em 2016. Os detalhes finais fornecidos pelos principais acionistas nos deu a confiança de aceitar esse novo desafio. Nossa ambição é vencer, mesmo que isso leve algum tempo – disse Carlos Ghosn, presidente e diretor executivo do Grupo Renault.
Fornecedora de motores da RBR e da STR em 2015, a Renault estava insatisfeita com as seguidas críticas que recebia da companhia de energéticos. Ciente da repercussão negativa gerada pelos comentários da parceira, a montadora francesa decidiu tomar uma atitude drástica: ou seguiria na Fórmula 1 com uma equipe própria ou deixava a categoria. O fim do imbróglio com o time austríaco oi revelado horas depois. A RBR continuará a usar motores Renault em 2016, mas as peças serão rebatizadas com o nome da nova patrocinadora, TAG Heuer.
– Como equipe própria, a Renault tirará o máximo de benefícios de suas vitórias. A recompensa como fornecedora de motores provou ser limitado. O retorno de investimento necessário com o novo regulamento de motor e o retorno em termos de imagem era baixo – disse a empresa no comunicado.
Decidida a voltar a ter independência na Fórmula 1, a montadora mirou a aquisição da Lotus, equipe que havia adquirido o próprio time da Renault em 2011, mas que nesta temporada usava motores Mercedes. A escuderia inglesa, cujo sócio-majoriário era a Genii Capital, enfrentava grave crise financeira e acumulava dívidas. A Lotus já anunciou anteriormente a dupla de 2016: o venezuelano Pastor Maldonado e o estreante britânico Jolyon Palmer.
De acordo com a revista “Autosport”, apesar da mudança de dono, o presidente do Grupo Genii, Gerard Lopez, seguirá com um cargo administrativo na nova Renault. Segundo a publicação, a montadora francesa se comprometeu a continuar na Fórmula 1 por pelo menos nove anos, até o fim da temporada 2024.
Bônus histórico
Os últimos obstáculos para a conclusão do negócio foram acertados em conversas do presidente da divisão esportiva da Renault, Jerome Stoll com o chefão da Fórmula 1, Bernie Ecclestone no fim de semana passado, durante o GP de Abu Dhabi que encerrou a temporada 2015. A montadora pleiteava valores da premiação do Mundial de Construtores e o direito do recebimento de um pagamento extra anual por contribuição histórica à categoria, bonificação recebida também por Ferrari, Mercedes, Williams, RBR e McLaren. A Renault ameaçava não seguir na categoria, caso suas exigências não fossem aceitas.
Como escuderia, a Renault foi bicampeã do Mundiais de Pilotos, com Fernando Alonso, e de Equipes nos anos de 2005 e 2006. Como fornecedora de motores, a companhia soma 12 títulos de Construtores (com time próprio, Williams e RBR) e outros 11 de Pilotos. A montadora entrou na F-1 em 1977. Nesse período, participou de mais de 600 GPs, contribuindo em 168 vitórias.
Como equipe própria, Renault faturou os títulos de 2005 e 2006 com Fernando Alonso (Foto: Getty Images)















