A cúpula do PT já decidiu qual será a postura da legenda em relação às recentes críticas feitas pela senadora Marta Suplicy (PT-SP) à condução da política econômica pela presidente Dilma Rousseff e à escolha de Juca Ferreira para o Ministério da Cultura: deixar o tempo passar e acalmar os ânimos.
A afirmação foi feita por líderes do partido em São Paulo, na semana passada.
Até mesmo os alvos dos ataques foram orientados a afirmar, caso sejam questionados, que tudo já passou e ressaltar o trabalho da senadora à frente da pasta da Cultura e da prefeitura de São Paulo. O presidente nacional do PT, Rui Falcão, um dos alvos da fúria da senadora, teria aceitado “relevar” os ataques sofridos.
Durante um encontro em São Paulo, articulado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, os petistas avaliaram que as criticas são consequência da decisão do partido de apoiar a reeleição de Fernando Haddad (PT) na capital paulista. “Ela acredita que, após completar 70 anos (em março) ficaria impossível disputar um novo cargo majoritário depois de 2016, mas vamos mostrar que isso não é verdade”, disse um dirigente petista aoMetro Jornal.
Edinho de Souza, presidente do PT em São Paulo, foi o escolhido para “acalmar a fera’. Ele buscará convencê-la a esperar 2018 e disputar o governo de São Paulo.
O PT acredita que, sem a possibilidade de transferência para uma legenda de “peso”, Marta concluirá que o melhor caminho é seguir no partido, o qual é filiada desde 1981.
Visto como o caminho mais provável da senadora, o PMDB de São Paulo já avisou os petistas que não pretendem acolhê-la. Os peemedebistas já convenceram Paulo Skaf, presidente da Fiesp (Federação das Indústrias de São Paulo), a não disputar a prefeitura em 2016 e, em troca, ganharam mais espaço na administração Fernando Haddad, incluindo a nomeação do deputado Gabriel Chalita para a secretaria da Educação. A aposta é de que a chapa à prefeitura de São Paulo em 2016 será Haddad/Chalita.
Assédio
Relegada a um papel secundário no PT, Marta é o “plano A” dos partidos de oposição na corrida à prefeitura de São Paulo no ano que vem. O presidente do Solidariedade, deputado Paulo Pereira da Silva (SP), marcou para esta semana uma conversa para levar à Marta a ficha de filiação e o compromisso de apoio de PPS, PV e PSB na disputa de 2016. O deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP) também seguirá o caminho de Marta.
O PSB já consultou o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), que vê em Marta um nome com prestígio e não impôs restrições à filiação.

















