O próximo número do jornal satírico francês Charlie Hebdo, que sairá à venda pela primeira vez após o atentado nesta quarta-feira (14) com uma tiragem de um milhão de exemplares, incluirá caricaturas de Maomé, segundo Richard Malka, advogado do jornal.
Malka afirmou nesta segunda-feira (12) à emissora de rádio France Info que a revista incluirá também charges sobre políticos e religiosos, pois "esse é o espírito do 'Je Suis Charlie'".
"Nunca vamos ceder. Se não, nada disto faria sentido", afirmou o advogado e colaborador do semanário onde dois jihadistas mataram na semana passa 12 pessoas, supostamente em represália pela publicação de caricaturas do profeta do islamismo.
Este atentado, e outros dois posteriores cometidos nos dias 8 e 9 de janeiro por um islamita radical, que deixou cinco pessoas mortas, geraram as maiores manifestações da história da França, com quase 4 milhões de presentes.
O jornal Charlie Hedbo costuma pôr à venda 60 mil exemplares, mas o número que sairá dentro de dois dias terá uma tiragem de 1 milhão e será traduzido para 16 idiomas, segundo explicou um de seus desenhistas, Patrick Pelloux.
"Terá uma divulgação excepcional como gesto de vida e de sobrevivência", afirmou o advogado.
Um redator do semanário, Gérard Biard, explicou à emissora que o desejo não é fazer um "número necrológico". Para Malka, o lema popularizado após os atentados, "Je Suis Charlie", é "um estado de espírito, que também defende o direito à blasfêmia" e, portanto, "evidentemente" o novo número do semanário incluirá caricaturas de Maomé.
"O humor sem rir de si mesmo não é humor. Nós rimos de nós mesmos, dos políticos, das religiões; é um estado de espírito", concluiu.
O atentado do dia 7 de janeiro matou oito jornalistas do Charlie Hebdo, entre eles, seu diretor, Charb, e quatro dos mais conhecidos caricaturistas da França. Os membros restantes da redação se refugiaram nos escritórios do jornal Libération para continuar com seu trabalho, protegidos por um forte aparato de segurança.
O jornal Le Monde forneceu cinco computadores e equipamentos eletrônicos para que o Charlie Hebdo volte a publicar suas edições.



















