Em Florianópolis, projetos transformam o que iria para o lixo em bons exemplos de consumo consciente e cuidado com a natureza. As iniciativas partem dos poderes tanto público quanto privado.
A artesã Nara Gichon diz recolher uma tonelada de redes de pesca industrial em Itajaí e em Florianópolis a cada seis meses. As redes são feitas de poliamida, uma fibra derivada do petróleo e que leva mais de 600 anos pra se decompor.
“É uma esponja de rede de pesca. Pode ser usada para lavar a louça, limpar os alimentos, cenouras, batatas, esfoliação corporal, limpeza de banheiros. E elas são costuradas por um grupo de mulheres chamado ‘Mulheres do Frei'”, disse.
Por meio do projeto, são produzidas 800 esponjas por mês, depois vendidas em lojas de produtos ecológicos em todo o Brasil. Para o consumidor, cada uma sai por R$ 12.
“Se desinfetar a cada quinze dias com vinagre ou água fervendo, possivelmente ela vai durar dez anos”, disse ela. Com as redes, ela também faz colares, bolsas, tapetes.

Tampinhas
As caixinhas para juntar tampinhas para ajudar os animais estão em vários lugares – restaurantes, lojinhas e academia. Um dos projetos tem 500 pontos de coleta espalhados por Florianópolis, São José, Biguaçu, Palhoça e Santo Amaro da Imperatriz.
As tampinhas vão para a casa de 50 voluntárias. Uma delas é Claire Knapp Greghi. As tampinhas são variadas, podem ser de alimentos, produtos de limpeza etc.

Os objetos são separados por cores. “Uma empresa de reciclagem compra as tampas, tritura, torna em matéria-prima novamente e revende”, explica Claire.
No mês passado, eles bateram recorde: arrecadaram 8 toneladas de tampinhas, que vão para a casa de 50 voluntárias. Uma delas é Claire Knapp Greghi.
A empresa paga em torno de R$ 10 mil ao projeto. O valor é integralmente revertido em castração de animais, aproximadamente 150. Tem 200 animais na fila de espera.
“São [necessárias] 45 mil tampinhas para fazer uma castração”, disse Claire.
Compostagem
A maioria das pessoas não separa os restos de comida em casa. E, mesmo que separasse, a empresa de coleta de Florianópolis não busca esses resíduos separadamente: eles são misturados com outros lixos e vão parar no aterro.
Dá pra encher 27 caminhões de lixo por dia. Mas poderiam ser 28, um a mais, se não fosse um projeto criado pela prefeitura. Foram criados aproximadamente 10 espaços, tanto pela administração municipal quanto pela comunidade, em que as famílias podem levar o que sobra em casa. Esse material vai para compostagem.

“A gente tem um recipiente pra isso? Dá para lidar com cheiro, né? A gente usa uma tampa”, disse o aposentado Fernando Reichert.
São mais ou menos dez locais na capital, criados pela prefeitura ou pela comunidade mesmo, em que as famílias podem levar o que sobra em casa. “Então aqui a gente usa o resíduo para fazer o composto e usamos folhas seca”, disse Silvana, educadora ambiental da Floram. O processo até virar adubo leva de quatro a cinco meses.
“O material a gente acaba distribuindo para as famílias que fazem parte do ‘Família Casca'”. O adubo sai de graça pra quem quiser.


















