Epagri ganha três troféus no Prêmio Expressão de Ecologia e se torna a maior campeã na história da premiação. Foto: Janaína Pereira dos Santos/Arquivo pessoal
A aplicação de inseticidas pode resolver a incidência de doenças em uma determinada lavoura, mas traz uma série de efeitos colaterais indesejáveis. O controle de insetos-praga exclusivamente com agrotóxicos afeta o estabelecimento e o desenvolvimento de inimigos naturais, reduz a diversidade biológica, desencadeia o aparecimento de novas pragas e a ressurgência de pragas consideradas secundárias.
Pragas controladas sem impacto ambiental
Diante do cenário assustador que a aplicação de inseticidas desdenha e custo elevado das armadilhas comerciais, que dificultam a aquisição desse tipo de produto pela população, a Estação Experimental da Epagri em Caçador, desde 2016 desenvolve projeto que visa impactar de forma positiva a sociedade com as armadilhas artesanais de baixo custo, confeccionadas com garrafas do tipo PET.
A alternativa, feita com garrafas reutilizadas, auxilia na busca de uma agricultura sustentável, que evita o uso excessivo, indiscriminado e exclusivo de agrotóxicos para o controle de pragas. Os principais resultados ambientais incluem a manutenção da biodiversidade natural de ecossistemas e a redução nas aplicações de agrotóxicos e nos custos de produção.
A PREMIAÇÃO
O projeto para uma solução barata e de fácil acesso para esse público-alvo rendeu 1 (um) dos 3 (três) troféus que a Epagri faturou na 26ª edição do Prêmio Expressão de Ecologia, a maior premiação ambiental do país no segmento empresarial com reconhecimento do Ministério do Meio Ambiente. Com essa conquista, a Epagri soma 16 troféus, tornando-se a instituição que mais vezes premiada foi na história do concurso.
A responsável pelo projeto é a pesquisadora e engenheira agrônoma Janaína Pereira dos Santos, que começou a fazer estudos sobre as armadilhas há oito anos.
Em 2016, quando eu vi que poderia ter algum potencial, fiz um experimento a campo para validar a pesquisa”, contou a pesquisadora. São cinco pessoas na equipe.
O conhecimento sendo disponibilizado.
AS ARMADILHAS
Armadilhas adesivas coloridas usadas para capturar insetos consistem em superfícies de coloração amarela ou azul, impregnadas com uma substância adesiva. O uso desse tipo de armadilha está baseado em estudos científicos que indicam que os comprimentos de onda emitidos por determinadas superfícies coloridas atraem diferentes espécies de insetos.
As armadilhas utilizadas no projeto são feitas com garrafas PET de 500 ml. Por dentro, elas são pintadas de amarelo, para atrair moscas, pulgões e besouros, ou azul, para insetos conhecidos como tripes, que se alimentam da seiva das plantas.
Por fora, a garrafa é coberta por um cola. Dessa forma, os animais ficam grudados. As armadilhas são feitas de forma artesanal e a confecção delas é explicada em vídeo pela pesquisadora.
“Tem já armadilhas comerciais, que são plaquinhas adesivas. Pensamos o que poderia substituir as comerciais, porque são muito caras”, disse ela. Após testar outros materiais, como papel-cartão, a equipe chegou na garrafa PET.
“Tem maior durabilidade no campo do que o papel, dura bastante. Você pode reutilizar o material [garrafas] e consegue encontrar facilmente”, afirmou a pesquisadora.
O objetivo da equipe também é a reutilização de garrafas PET e a diminuição do uso de agrotóxicos nas lavouras.
sejam mais baratas do que as comerciais. Segundo a pesquisadora, o preço delas costuma ser 5,8 vezes menor.
Além disso, as armadilhas comerciais podem ser compradas apenas pela internet e nem todos os agricultores têm acesso à rede.
Depois de prontas, as garrafas podem ser colocadas em qualquer ambiente nas lavouras, geralmente presa pela tampa por um arame e pendurada. As amarelas também podem ficar dentro de casa, contra as moscas.
Elas duram entre cinco e sete dias, dependendo da quantidade de insetos capturada.