Prefeito de Florianópolis,Gean Loureiro (sem partido), preso na Operação Chabu, foi liberado na noite desta terça-feira (18)

PF investiga a violação de sigilo de operações policiais. TRF4 determinou que gestor seja afastado do cargo de prefeito por 30 dias.

Foto: Reprodução/ Redes Sociais

O prefeito de Florianópolis,Gean Loureiro (sem partido), preso na Operação Chabu, da Polícia Federal, foi liberado na noite desta terça-feira (18) depois de prestar depoimento. O desembargador Leandro Paulsen, do Tribunal Regional da 4ª Região (TRF4), que determinou a prisão temporária, mandou que o politico seja afastado do cargo de prefeito por 30 dias.

A operação investiga a violação de sigilo de operações policiais em Santa Catarina. Os motivos da prisão do prefeito, ocorrida na manhã desta terça, não foram informados pela PF e pelo TRF4.

A defesa de Loureiro disse que vai tentar revogar no TRF4 a determinação do afastamento. Além do prefeito, outras seis pessoas foram presas temporariamente:

  • Fernando Caieron, delegado da PF, preso em Porto Alegre (RS);
  • Marcelo Roberto Paiva Winter, da Polícia Rodoviária Federal (PRF), diretor de comunicação do Sindicato dos Policiais Rodoviários de Santa Catarina (SINPRF-SC);
  • Luciano Veloso Lima, que foi secretário da Casa Civil no governo de Eduardo Moreira (MDB);
  • Hélio Sant’Anna e Silva Júnior, delegado aposentado da Polícia Federal;
  • José Augusto Alves, empresário;
  • Luciano da Cunha Teixeira.

A apuração aponta para os crimes de associação criminosa, corrupção passiva, violação de sigilo funcional, tráfico de influência, corrupção ativa, e tentativa de interferir em investigação penal que envolva organização criminosa.

Investigação

Após analisar os materiais apreendidos durante a Operação Eclipse, deflagrada em agosto de 2018, a PF apurou que o grupo suspeito na ocasião construiu uma rede com núcleo político, empresários, e servidores da PF e da PRF lotados em órgão de inteligência e investigação, para dificultar investigações em curso. Haveria ainda intenção de proteger o núcleo político em troca de vantagens financeiras e políticas.

A PF afirma que as investigações apontaram para desde crimes de vazamento de informações sobre operações policiais ainda sem terem sido deflagradas até o contrabando de equipamentos de contra inteligência para montar ‘salas seguras’ à prova de monitoramento em órgãos públicos e empresas.

Determinações judiciais

As prisões temporárias foram determinadas pelo desembargador Leandro Paulsen, do TRF4. O magistrado proibiu o prefeito de qualquer contato com outros envolvidos na operação, além do recolhimento do passaporte e que Loureiro não saia do estado.

Os investigados também estão proibidos de comunicarem entre si e de sair do estado. Deverão ainda comparecer ao juízo de Florianópolis mensalmente.

O magistrado proibiu ainda Hélio Sant’Anna e Silva Júnior, Fernando Caieron e Marcelo Roberto Paiva Winter de acessar as dependências de qualquer sede policial, inclusive da PF. Winter e Caieron ainda tiveram a suspensão do exercício da função pública, sem prejuízo aos vencimentos.

O que dizem os citados

A reportagem não localizou a defesa de Fernando Caieron. A Polícia Federal informou que não vai se manifestar com relação ao citado.

A defesa de Luciano Veloso Lima, Rubens Cabral Faria Junior, disse que o ex-secretário foi pego de surpresa pela operação e prestou depoimento até as 11h30 na Polícia Federal. O advogado ainda diz que prisão “não explicita os delitos e que a é arbitrária porque os fatos são frágeis”.

A assessoria de imprensa do SINPRF-SC disse que irá se manifestar sobre a prisão de Marcelo Roberto Paiva Winter depois de ter acesso aos autos. A PRF afirmou que ficou sabendo da operação nesta manhã e que a Corregedoria da instituição busca informações junto à PF para se manifestar.