População do noroeste mato-grossense reivindica pavimentação de rodovias

Em audiência pública realizada no município de Alta Floresta, entidades formaram comissão para lutar pelo desenvolvimento da região

Audiência pública reuniu representantes da região do Vale do Teles Pires
Ângelo Varela/ALMT

A definitiva pavimentação de uma nova rota que torne viável economicamente o escoamento da produção gerada na região do Vale do Teles Pires, incluindo os municípios de Colniza, Aripuanã, Juruena, Cotriguaçu, Nova Bandeirantes, Nova Monte Verde, Apiacás e Paranaíta, é a principal necessidade da população do noroeste de Mato Grosso.

No trajeto atual, para acessar a BR-163, a produção do Vale do Teles Pires, por exemplo, precisa percorrer 315 quilômetros, passando pelas rodovias MTs-208/320, nos municípios de Nova Canaã do Norte e Colíder, o que encarece o frete e o custo final da produção, diminuindo a competitividade dos produtos no mercado local.

Essa é a principal reivindicação do povo do Teles Pires que esteve presente à audiência pública articulada pelo deputado Pedro Satélite e realizada pela Assembleia Legislativa na sede da subsecção da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Alta Floresta, na noite de sexta-feira (13).

O evento discutiu a pavimentação do traçado que liga as rodovias estaduais MTs-419/389/320/208 à BR-163, passando pelos municípios de Alta Floresta, Carlinda, Distrito Cristalino do Norte (antiga Cinco Mil), Novo Mundo e Guarantã do Norte.

O trecho é de 172 quilômetros, dos quais 59 são pavimentados. A questão do aeroporto e de fomento a atividades agropecuárias também fizeram parte da pauta.

O autor do pedido de audiência, deputado Pedro Satélite,  enalteceu o potencial econômico da região do Vale do Teles Pires na produção agrícola e agropecuária, ressaltou a falta de logística para o escoamento da produção e sugeriu uma solução.

“Estamos falando de uma região altamente produtiva, mas que sofre com a falta de logística para escoar a produção. E há uma alternativa, através da BR-163, acessando os portos de Miritituba e Santarém, ambos no estado do Pará.

Isso encurtaria o trajeto em 140 quilômetros, tornando nossos produtos mais competitivos para exportação ao mercado europeu e asiático”, sugeriu Satélite, lembrando que a BR-163 inicia no Rio Grande do Sul, termina em Santarém, no Pará, e onde já está pavimentada houve desenvolvimento.

Satélite apresentou dados de um relatório realizado pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) sobre os números atuais da produção e economia local e que aponta para um grande potencial de crescimento do agronegócio em toda a região noroeste.

O empresário Antero Siqueira da Silva, membro da comissão especial, formada por empresários e representantes de entidades civis organizadas em prol do desenvolvimento da região, disse que “agora (depois da audiência pública) é aliar com os parlamentares e o governo para que o sonho dessas rodovias se realize”.

De acordo com Satélite, além dele, os deputados Romoaldo Júnior (MDB), Nininho (PSD), Valdir Barranco (PT) e Ademir Brunetto (PSB) estão lutando por recursos pela região noroeste.

Este último, que também esteve na audiência pública, disse que “a chegada de rodovias é uma obra fundamental. Milhares de hectares de terra serviram por muitos anos a pecuária e agora precisa ser melhorada para a agricultura, que depende de estrutura viária para escoar a produção”.

Para ele, o debate é um início importante e o governo precisa ser parceiro para concluir as negociações em torno de um resultado concreto.

Para o secretário de Estado de Infraestrutura e Logística de Mato Grosso, Marcelo Duarte, a grande notícia sobre a construção dessas estradas marginais no noroeste é que elas serão feitas com recursos da iniciativa privada.

“São quase R$ 500 milhões a serem investidos nestas rodovias e essa é uma iniciativa inovadora, os deputados articularam o governo e isso tudo vai trazer os recursos. Também sobre o aeroporto de Alta Floresta, foi incluída a concessão e já há uma empresa alemã que visitou a região e está interessada, são outros R$ 70 milhões”, disse.

O secretário de Articulação Política do governo, Domingos Sávio, complementou: “há um real interesse do governador em resolver a questão das rodovias do noroeste, aumentando o eixo de exportação”.

“Nossa intenção é unir forças para tornar esse sonho uma realidade, e isso só vai acontecer se houver o engajamento de todos, e é isto que estamos buscando”, finalizou Pedro Satélite.