Polícia Civil apreende documentos sobre suspeita de fraude em reforma de escola no Vale do Itajaí

Polícia afirma que empresa recebeu para fazer trabalhos, mas houve serviços não realizados. Secretaria diz que apura desde 2019 irregularidades na obra.

Operação cumpriu cinco mandados de busca durante a sexta-feira (6) — Foto: Polícia Civil

A Polícia Civil apreendeu documentos em uma operação sobre suspeitas de fraudes na reforma de uma escola de Taió, no Vale do Itajaí, realizada sexta-feira (6). Cinco mandados de busca e apreensão foram cumpridos em Rio do SulIbirama e Agronômica.

O inquérito policial foi instaurado para apurar suspeitas de fraudes em contratos entre a Secretaria de Estado da Educação e uma construtora responsável pela reforma. A investigação começou a partir de informações enviadas pela Controladoria Geral do Estado.

Conforme o delegado Marcus Fraile, a investigação teve como objetivo principal identificar o responsável pela liberação do dinheiro à empresa sem a realização do serviço.

“Aprendemos computadores, celulares e documentos. Pôde-se dizer que com os trabalhos de hoje o Inquérito Policial está praticamente concluído”, afirmou. Dois veículos e de dois terrenos foram sequestrados pela Justiça.

Investigação

A investigação apontou, conforme a Polícia Civil, que o valor do contrato firmado em 2017 com o Estado de Santa Catarina era de R$ 3.341.274,74 e a empresa teria recebido aproximadamente R$ 3.229.119,50.

Entretanto, segundo a polícia, a obra teria começado em 2018 e apenas 56,37% teria sido executada, o que corresponde ao valor de R$ 1.820.241,45 de serviços medidos e não realizados.

As fotos seriam inseridas por servidores da Agência Regional de Taió e, conforme a polícia, eram uma condição indispensável para liberação dos pagamentos à construtora.

Secretaria da Educação emite nota

Em nota, a Secretaria da Educação afirmou que a coordenadoria de Taió realizou uma denúncia, registrada no dia 27 de fevereiro de 2019, informando que obras na unidade escolar estavam paralisadas e em estágio inicial.

“No dia 7 de março de 2019, a equipe da SED visitou a escola e constatou que a situação da obra era distinta do que estava documentado no sistema, pois houve o cadastro de imagens de outras escolas com melhorias em estágio mais avançado. A SED elaborou um relatório de 68 páginas detalhando a situação da obra, incluindo fotos e planilhas”, disse a nota.

A SED afirmou ainda que os servidores responsáveis à época foram exonerados em 2018 por conta do fechamento da Agência de Desenvolvimento Regional (ADR) de Taió.

Conforme a Secretaria, foi contratada uma perícia para averiguar a estrutura pré-fabricada da escola e uma empresa, de forma emergencial, para concluir a obra nos espaços coletivos da unidade de ensino para que o local estivesse apto a receber os alunos no início do ano letivo, e continua prestando as informações necessárias para o andamento da investigação.