A Polícia Militar cumpre, na manhã desta quinta-feira (28), uma reintegração de posse no terreno que está ocupado pela comunidade Cacique Xicão, no Recife. A desocupação foi determinada pela Justiça Federal em Pernambuco. A comunidade ocupa um terreno entre a pista do Aeroporto Internacional dos Guararapes e a Avenida Recife, no bairro do Ipsep, Zona Sul da capital, onde fica uma antiga linha férrea. Algumas famílias estão saindo do local tranquilamente, mas também há focos de resistência, como um grupo que ateou fogo em um trecho da ocupação e outro grupo que tentou invadir a pista do aeroporto.
O trecho da Avenida Recife que passa perto da comunidade está interditado. De acordo com a Companhia de Trânsito e Transporte Urbano (CTTU), que acompanha a movimentação, o perímetro onde está sendo cumprida a ordem judicial está bloqueado também. Para a circulação do trânsito, estão sendo feitos desvios na entrada do bairro do Ibura e na Rua Senador Robert Kennedy. O tráfego no local está complicado.
A Polícia Federal e a Polícia Militar acompanham a reintegração de posse com os oficiais de justiça. No local vivem cerca de 400 pessoas em 175 barracos, de acordo com levantamento feito pela polícia. A área, que tem 800m², pertence à União. A Justiça Federal informou que, segundo a Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero), a desocupação imediata é necessária porque o local é uma faixa de segurança aérea, muito próxima à cabeceira da pista. A decisão da reintegração foi dada pela 12ª Vara Federal no último 13 de maio.
De acordo com o assessor de comunicação da Polícia Militar, major Júlio Aragão, 319 policiais acompanham a reintegração. "Estamos atuando junto com a Polícia Federal, no sentido de dar sgeurança aos ocupantes, de atender à determinação judicial e dar segurança a todas as pessoas que direta e indiretamente estão envolvidas nessa reintegração de posse", disse.
Já o chefe de comunicação da Polícia Federal em Pernambuco, Giovani Santoro, comentou que as pessoas que estão no local estão pondo em risco a própria vida, já que a área não tem aterro sanitário e é muito próximo da pista do aeroporto. "É uma questão de segurança, uma área que pertence à aviação civil", afirmou.
A questão da segurança foi destacada pela Infraero, nas audiências que foram realizadas sobre o caso. A empresa salientou que a falta de tratamento sanitário pode prejudicar o tráfego das aeronaves. Além disso, dois incêndios ocorridos na comunidade também causaram preocupação pelo risco às operações do aeroporto.
A decisão judicial também determinou que as famílias fossem inscritas em programas habitacionais da Prefeitura do Recife e do Governo do Estado, de acordo com as prioridades e o cronograma e disponibilidade de cada órgão. Os moradores da Comunidade Cacique Xicão ocupam a área há pelo menos dois anos.


















