Um tribunal especial com sede em Haia começará a funcionar este ano e investigará os supostos crimes de guerra da guerrilha separatista kosovar albanesa UCK, indicou nesta sexta-feira o governo holandês.
"Este tribunal julgará as acusações de supostos crimes graves cometidos em 1999-2000 por membros do Exército de Libertação de Kosovo contra minorias étnicas e opositores políticos", indicou a chancelaria holandesa.
Segundo o governo kosovar, este tribunal se deve a um pedido dos sócios estratégicos de Kosovo, que proclamou sua independência da Sérvia em fevereiro de 2008, incluindo os Estados Unidos e a União Europeia.
Uma das primeiras tarefas do tribunal será verificar as conclusões do "relatório Marty", publicado em 2010.
Nesse informe, que foi adotado pela Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa (APCE), Dick Marty menciona um suposto tráfico por guerrilheiros kosovares de órgãos extraídos de prisioneiros, principalmente sérvios, no final dos anos 90 no território albanês.
As autoridades kosovares rejeitam o conteúdo do documento.
A partir de 1991, a UCK lançou uma campanha de guerrilha contra as forças de segurança sérvias. A reação da Sérvia, dirigida então pelo hoje falecido Slobodan Milosevic, causou milhares de mortos e provocou o êxodo de um milhão de albano-kosovares.
Em 24 de março de 1999, depois do fracasso da diplomacia internacional para obrigar Milosevic a deter a repressão contra os albaneses e aceitar uma solução negociada da crise, a Otan bombardeou a República Federal da Iugoslávia.
Depois de as tropas sérvias se retirarem, Kosovo passou para administração da ONU.



















