Na CPI da CBF, Wellington pede o fim da ‘perpetuação’ em entidades esportivas

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A proibição de mais de uma reeleição para dirigentes, decretada na Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e nas federações de futebol dos Estados através da MP do Futebol – aprovada pelo Congresso Nacional e sancionada pela presidente Dilma Rousseff – deve se estender à demais entidades esportivas do Brasil. A proposta foi feita nesta terça-feira, 18, pelo senador Wellington Fagundes (PR-MT), durante sessão da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Futebol, na reunião que colheu depoimentos e documentos de jornalistas que atuam na área de investigação dos escândalos envolvendo a CBF.

“Temos que acabar com a perpetuação que existe nas entidades” – disse. “Há presidentes em federações que ocupam o cargo há mais de 25, 30 anos. São verdadeiros clubes fechados, com quóruns restritos. Isso precisa acabar”.

O republicano adiantou que estuda encaminhar um projeto de lei para limitar a reeleição nas entidades esportivas que recebam, a qualquer título, recursos públicos, inclusive através do patrocínio das estatais. “Está provado que a perpetuação do Executivo por vários mandatos, tende a levar vícios e tantos outros problemas para a entidade e ao esporte” – disse o senador, ao cobrar mais transparência nos recursos que envolvem o esporte.

A medida recebeu o apoio dos jornalistas esportivos Juca Kfouri, Jamil Chade e José Cruz, convidados a prestar depoimento na CPI. Segundo Cruz, do UOL, as federações dão sustentação ao sistema que atualmente existe nas confederações.

Durante a sessão da CPI, Wellington questionou o jornalista Sérgio Rangel, da Folha de São Paulo, sobre uma reportagem de junho deste ano em que este detalha a estratégia do presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, para conseguir apoio para se manter no cargo. “Sabe-se que a CBF repassa, mensalmente, dinheiro às federações estaduais, a título de ajuda de custo. Neste ano, além do tradicional repasse, cada federação tem recebido uma quantia adicional de R$ 15 mil por mês” – lembrou o republicano, ao fazer a defesa da proposta que limita a reeleição.

A CPI do Futebol recebeu do jornalista Jamil Chade três cópias de contratos da CBF, que obteve como fruto de seu trabalho como correspondente na Suíça do jornal O Estado de S. Paulo, e que tratam de negociações envolvendo jogos amistosos da seleção brasileira entre os anos de 2006 e 2022. Estes contratos, assinados com empresas estrangeiras com sedes em paraísos fiscais, motivaram o presidente da CPI, senador Romário Faria (PSB-RJ), a sugerir que todos os contratos da entidade nos últimos 10 anos sejam investigados. A ideia foi prontamente acatada pelo relator Romero Jucá (PMDB-RR).

Fagundes se disse “impressionado” e “extremamente preocupado” com os relatos dos jornalistas, que demonstraram conhecimento histórico dos esquemas empregados na CBF e também nos esportes. Em um deles, José Cruz relatou que os “negócios do esporte em geral, do futebol em particular, são muito escondidos” e que, segundo ele, a limitação de mandatos pode ajudar a combater esse tipo de situação. Embora as entidades tenham que publicar balanços, há muitas questões submersas.

Uma das questões observadas diz respeito às verbas do Ministério do Esporte repassadas às confederações de vôlei, basquete, tênis, natação, entre outras. Cruz explicou que o ministério permite, através de legislação específica, que 30% desses recursos, liberados para promover treinamentos, viagens e competições, sejam usados na contratação de empresas que façam a gestão desses recursos.

“No Rio de Janeiro – disse Cruz – a Polícia Federal está investigando uma máfia formada por essas empresas, que fraudam licitações, utilizam empresas de fachada. E imaginem: de R$ 2 milhões repassados à natação ou ao judô, por exemplo, o que representam 30% para o esporte brasileiro em termos de de prejuízo para os cofres públicos”, alertou.

Diante dos relatos, Wellington Fagundes propôs à CPI, via requerimento, pedido de informações para que o Ministério dos Esportes forneça a relação com valores dos repasses efetuados para todas as Federações. “O que pode se desdobrar em uma situação ainda pior”, calculou.