Lagoa de rejeitos da Casan rompe e vazamento atinge córrego em Barra Velha

O lodo é formado por substâncias minerais e químicas. A situação preocupou os agricultores da região.

Vazamento ocorreu na semana passada e durou ao menos dois dias — Foto: Reprodução

Uma lagoa de rejeitos da Estação de Tratamentos da Companhia Catarinense de Águas e Saneamento (Casan) em Barra Velha, no Litoral Norte, rompeu e atingiu o Ribeirão Machado, afluente do Rio Itapocu. O lodo é formado por substâncias minerais e químicas. A situação preocupou os agricultores da região.

O vazamento ocorreu na semana passada e durou ao menos dois dias. A lagoa de rejeitos tem 5 mil metros quadrados. A estação abastece as cidades de Barra Velha e São João do Itaperiú.

O agricultor Adilso Heitor Linhares mora ao lado do córrego e viu quando a lagoa de rejeitos se rompeu. “Eu avisei o operador que estava caindo muito lodo e estava com vazamento. Eles não deram bola. Aí lá pelas 16h começou a vazar muita água e rompeu”, conta.

O lodo avançou pelo córrego e preocupou os agricultores da região. “A minha preocupação foi na hora tirar os gados, mangueirar [sic] e levar paro outro lado, para eles não tomarem aquela água”, afirma Linhares.

A Casan diz que o rompimento foi provocado pelo excesso de chuva, que afetou a estrutura do talude, mas não soube informar quanto de rejeito vazou no ribeirão. Um novo barranco já foi construído para controlar o vazamento.

Lagoa de rejeitos flagrada por moradores — Foto: Reprodução

O engenheiro regional da Casan, Leandro Orsi de Borba, diz que não houve contaminação da água. “Foram feitas seis amostras de água que mostraram o problema antes e depois. Não houve alteração dos parâmetros que foram avaliados. O que vazou foi a água que estava em cima da lagoa. O lodo já estava decantado e permaneceu na lagoa”, afirma.

A estatal informou que a lagoa de rejeitos era usada desde 2009, mas está desativada há um ano. No entanto, uma foto feita por um morador em maio mostra o descarte do rejeito.

A Casan também explicou que todo o rejeito vai para sacos que são levados para um aterro-sanitário e que licitou um novo equipamento para permitir uma destinação mais eficiente ao rejeito.

Rompimento de lagoa atinge córrego de Barra Velha. Foto: reprodução

“Quando esse sistema estiver operando, para o ano que vem, queremos usar não só para tratar os novos dejetos, mas também esses que estão dentro da lagoa porque a gente não pode simplesmente secá-la. É necessário desaguar, mandar o material para o aterro e secar a lagoa”, explica Borba.

Além da preocupação de outro vazamento, os moradores ficam em alerta com a falta de segurança e a falta de isolamento da lagoa de rejeitos. “Tem a questão de a criança brincar em cima do tapume e cair dentro de uma lagoa daquela de lodo e não sair mais”, diz o floricultor Luiz Carlos Floriano.

Em nota, a Fundação do Meio Ambiente de Barra Velha diz que autuou a Casan com três multas após o rompimento da lagoa de rejeitos, que está tomando as medidas cabíveis e colocou em ação o plano emergencial.

Lagoa de rejeitos flagrada por moradores — Foto: Reprodução

A fundação afirmou que vai contratar uma empresa para fazer a análise da água e para definir o tipo de material despejado. Após os resultados, a fundação vai decidir qual procedimento realizará contra a Casan, sendo possível embargar o trabalho ou até suspender a licença ambiental da concessionária.