Indonésia protesta contra ameaças da Austrália

obama diz considerar brasil um líder mundial

Um homem nativo da Indonésia derramou moedas sobre uma imagem do primeiro-ministro da Austrália, Tonny Abbott. A ação representa a devolução do dinheiro doado para as vítimas do tsunami de 2004.

Os indonésios não gostaram dos últimos pronunciamentos feitos pelo governo da Austrália, que pressiona a Indonésia para que os dois australianos condenados à pena de morte no país não sejam executados. Eles fazem parte de um grupo de 11 condenados – entre eles o brasileiro Rodrigo Gularte – que seriam fuzilados ainda neste mês.

Em um dos pronunciamentos, Tony Abbott citou a ajuda humanitária enviada após o tsunami que deixou cerca de 200 mil vítimas e devastou a Indonésia.

“Nós da Austrália sempre estivemos aqui para ajudá-los e esperamos que vocês retribuam”, declarou o primeiro-ministro Abbott, acrescentando que a morte dos conterrâneos terá consequências para as relações bilaterais.

A execução do brasileiro deveria ser realizada neste final de semana também, mas, segundo fontes do governo de Jacarta citadas pela emissora britânica “BBC”, data foi adiada pois a prisão onde as mortes são realizadas não está preparada.

A Austrália também ameaçou boicotar o turismo à Indonésia caso as execuções sejam mesmo realizadas. A ilha indonésia de Bali é um dos principais destinos de férias dos australianos.

O fuzilamento, que aconteceria neste fim de semana, foi adiado pelo governo da Indonésia. Eles argumentaram que a cadeia para onde os presos deveriam ser encaminhados ainda não estava preparada para recebê-los. Ainda não há uma nova data definida.

Brasil

O governo brasileiro também tem pressionado a Indonésia. Na última semana, a presidente Dilma Rousseff (PT) rejeitou as credenciais do novo embaixador da Indonésia no país, Toto Riyanto. Com a decisão, ele não tem permissão para participar de eventos e solenidades oficiais no Brasil.

No mesmo dia em que negou as credenciais ao embaixador da Indonésia, Dilma aceitou as dos representantes da Venezuela, El Salvador, Panamá, Senegal e Grécia.

"Achamos que é importante que haja uma evolução na situação para que a gente tenha clareza em que condições estão as relações da Indonésia com o Brasil. O que nós fizemos foi atrasar um pouco o recebimento de credenciais, nada mais que isso", disse a presidente brasileira.

As relações entre os dois países ficou nada amigável após o fuzilamento do brasileiro Marco Archer, no dia 17 de janeiro. Archer foi fuzilado em cumprimento à pena de morte por tráfico de drogas.

Após a execução, Dilma convocou o embaixador brasileiro na Indonésia, um ato diplomático que demonstrou a insatisfação do Brasil.