Hungria volta a fechar estação para imigrantes

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Pelo segundo dia consecutivo, centenas de imigrantes protestaram na estação de trem de Keleti, em Budapeste, após a polícia húngara impedir que estrangeiros embarquem rumo a países europeus, como Alemanha e Áustria. Mais de duas mil pessoas que já possuem passagens compradas aguardavam nesta quarta-feira, nas redondezas da estação, principalmente na Praça Baross, para poderem viajar.

A presença dos imigrantes, seguida por protestos, tem gerado transtorno com os agentes de segurança, que ontem usaram gás lacrimogêneo para conter a tensão. O governo húngaro não deu detalhes sobre a decisão de impedir as viagens, mas garantiu que apenas está cumprindo suas obrigações como país-membro da UE (União Europeia) nas políticas de controle nas fronteiras.

A Hungria recebeu mais 2.284 imigrantes e refugiados nas últimas 24 horas, cerca de 500 a mais que no dia anterior, informou a polícia local, ressaltando que seis traficantes de seres humanos foram presos. A maioria dos imigrantes é proveniente da Síria, Afeganistão e Paquistão, e tenta fugir de conflitos armados e situações de pobreza. O fluxo migratório se intensificou na rota balcânica nos últimos dias, já que milhares de estrangeiros tentaram cruzar a fronteira entre a Sérvia e Hungria antes da conclusão de uma barreira de arame farpado de 175 quilômetros. A maior parte dos imigrantes tenta chegar à Alemanha ou à Áustria, já que na última segunda-feira a Hungria decidiu abandonar seus esforços para registrar os pedidos de refúgio.

As rotas mais usadas pelos imigrantes passam pela Turquia, Grécia, Sérvia e Hungria. Outra opção é a ilha italiana de Lampedusa, no Mar Mediterrâneo, que recebe diariamente centenas de embarcações ilegais provenientes do norte da África. Segundo a atual legislação europeia prevista na Convenção de Dublin, os refugiados devem solicitar o asilo no primeiro país do bloco que desembarcarem. Porém, Itália, Grécia e Hungria afirmam que não dão conta do número de requisições e do fluxo de imigrantes.

Em resposta, a Alemanha anunciou que permitirá que cidadãos sírios que chegaram a outros países da UE façam pedidos de asilo a Berlim. Nesta manhã, o governo da chanceler Angela Merkel também informou que poderá alterar sua Constituição para conter a crise migratória.

De acordo com o governo turco, 11 imigrantes se afogaram tentando chegar à Grécia nas últimas horas. Um porta-voz da ONG Médicos Sem Fronteiras (MSF) disse que dois botes resgataram cerca de mil pessoas no Mar Mediterrâneo. Outros quatro mil imigrantes chegaram à Grécia via ilha de Lesbos nesta madrugada.

A UE tenta adotar medidas para conter o problema de, o qual já se caracteriza como o maior fluxo desde o fim da Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Uma reunião extraordinária deve discutir a crise no próximo dia 14 de setembro.

Itália

Após boatos de que a Alemanha teria pedido à Itália a suspensão do Acordo de Schengen, que garante a livre circulação de pessoas no território europeu, a província de Bolzano retificou que a legislação permanecerá vigente e que só haverá mais controles na fronteira.

Como forma de ajudar a Baviera a se reorganizar para lidar com a crise migratória, Bolzano acolherá temporariamente entre 300 e 400 imigrantes. "A ministra do Estado da Baviera, Emilia Muller, contatou a assessora provincial Martha Stocker para pedir ajuda para enfrentar a questão, com apoio logístico temporário e recebimento de refugiados", informou a província italiana. "É fundamental que a Europa dê uma bela acordada e faça sua parte", disse o premier italiano, Matteo Renzi, em seu mais recente apelo por medidas conjuntas para solucionar a crise imigratória no continente.