História de superação e desafios do primeiro indígena brasileiro que concluiu o doutorado na UFSC

João Rivelino Rezende Barreto foi o primeiro autodeclarado indígena brasileiro a terminar a pós-graduação em antropologia social, segundo a instituição.

Barreto é o primeiro indígena brasileiro a se forma doutor pela UFSC — Foto: UFSC/Divulgação

João Rivelino Rezende Barreto, de 38 anos, é o primeiro indígena brasileiro que concluiu o doutorado na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), no campus de Florianópolis. Também conhecido pelo nome indígena Yúpuri, que significa guardião das portas do universo, ele pertence a aldeia São Domingos Sávio, que fica no município de São Gabriel da Cachoeira (AM), com etnia Tukana e atualmente atua como professor universitário em Manaus (AM), onde vive com a esposa e os três filhos.

Barreto entrou no doutorado em 2015 pelo programa de pós-graduação em antropologia social da UFSC. A tese “Úkũsse: forma de conhecimento Tukano via arte do diálogo kumuãnica” foi defendida no dia 13 de junho e aborda as raízes culturais do conhecimento indígena.

Segundo o pesquisador e professor, o trabalho traz três figuras definidas como detentoras de conhecimentos: kumu (o pensador tukano), yai (o pajé), baya (o mestre de música). A pesquisa mostra como acontece o processo de formação dessas três figuras, a responsabilidade de cada uma e a existência do conhecimento Tukano.

O contato com a capital catarinense, começou no final do ano de 2013, quando ele foi convidado para participar como palestrante no Encontro das Licenciaturas Indígenas no Brasil, promovido pela Licenciatura Intercultural Indígena do Sul da Mata Atlântica da universidade.