
No segundo Gre-Nal com torcida mista, desta vez nas arquibancadas da Arena do Grêmio, no domingo, pela partida de ida da final do Campeonato Gaúcho, novamente a bola não balançou as redes e nem azuis nem vermelhos puderam soltar o grito de gol. Mas como na vez passada, no Beira-Rio, o exemplo de civilidade e a harmonia entre os torcedores da dupla foram os pontos positivos do clássico 405.
Eram casais, duplas de amigos e amigas e pais com seus filhos, que formaram a massa de 2 mil torcedores gremistas e colorados. Após concentração dos torcedores em um shopping, por volta das 14h começaram a partir os primeiros ônibus em direção à Arena.
Entre os que esperavam nas filas e dentro dos coletivos, o clima era de festa, recheado com brincadeiras e descontração. As cornetas, em geral, vinham acompanhadas de abraços e risadas.
Já dentro da Arena, antes da partida, houve um misto de aplausos e vaias quando o time colorado veio saudar a torcida exclusivamente do Inter, que se encontrava sobre o setor misto. Mas na sequência, quando o hino rio-grandense foi entoado, a união foi restabelecida e o coro se tornou novamente um só.
Nem quando o clima esquentou dentro de campo houve desavenças no local. No segundo tempo, quando o Inter cresceu na partida, os colorados ensaiaram um grito, que logo teve resposta dos gremistas presentes no setor. Tudo na mais tranquila paz, assim como deveria ocorrer em todos os outros setores do estádio.
Mais uma vez mostrou-se possível o convívio entre torcedores de Grêmio e Inter sem a necessidade de grades. Agora a expectativa para o primeiro grito de gol no setor ficará para o próximo domingo, no Beira-Rio, quando um setor para gremistas e colorados será novamente disponibilizado.
Pai e filho, enfim, juntos
Desejo antigo de pai e filho, a torcida mista possibilitou que o empresário Antonio Barba, 66 anos, acompanhasse um Gre-Nal no estádio ao lado do filho Paulo Barba, 33. Ambos nascidos no México, mudaram-se para Porto Alegre há 27 anos. Na chegada, o filho decidiu seguir o conselho da mãe e vestiu tricolor.
“Eu saía para trabalhar e ela ficava convencendo os filhos a ser gremista. Eu durmo ao lado do inimigo”, brincou o pai. “Ela me obrigou a ser gremista na época, mas agradeço até hoje”, foi a resposta do filho.
Sobre a iniciativa de unir as torcidas, os dois não pouparam elogios. “Foi uma das melhores coisas que fizeram”, aprovou Paulo.
















