O ano de 2015 vem sendo marcado por uma série de iniciativas que chamaram a atenção para a questão mundial do desperdício de alimentos. Em um artigo divulgado no site da ONU o diretor do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), Achim Steiner, afirmou que, “Um terço de todos os alimentos produzidos no mundo a cada ano, ou cerca de 300 milhões de toneladas, é jogado no lixo. A comida que jogamos fora ainda serve para o consumo humano e poderia alimentar mais de 800 milhões de pessoas no mundo”.
Em um mundo cuja demanda por alimentos cresce proporcional ao aumento da população mundial, que segundo estimativas deve chegar a 9 bilhões de pessoas até 2050, o desperdício é um contracenso. Tendo em vista que a produção de alimentos amplia a pressão sobre os recursos naturais do planeta, aumentando o consumo de água e estimulando o desmatamento para ampliação da fronteira agrícola.
De acordo com os economistas a solução mais viável para o problema do desperdício é a humanidade caminhar para a chamada economia verde, modificando os atuais padrões de produção e consumo. Neste novo modelo verde não haveria sobras, mas um reaproveitamento total dos alimentos e bens produzidos. De acordo com a ONU, 65 países já estão desenvolvendo ações de economia verde que incluem estratégias voltadas para a diminuição do desperdício.
O Governo francês quer reduzir pela metade o desperdício de mantimentos até 2025, e para isso obteve este ano o apoio unânime da Assembleia Nacional. De acordo com uma emenda à Lei de Transição Energética, a partir de 1º de julho de 2016 os supermercados com mais de 400 metros quadrados não poderão jogar produtos perecíveis no lixo. Deverão doá-los a organizações dedicadas à alimentação animal ou à fabricação de adubos.
Em Portugal a engenheira ambiental, Isabel Soares, utiliza o antigo palácio do Ateneo Comercial de Lisboa para vender frutas e verduras que seriam jogadas no lixo. Há 14 meses Isabel criou uma cooperativa de consumo que compra dos agricultores produtos que, pelo tamanho ou aparência, estão fora dos padrões comerciais mais exigentes. A cooperativa foi sugestivamente denominada Frutafeia, e tem como lema o slogan: Gente bonita come Fruta Feia.
Em Cuiabá e outras cidades brasileiras funciona o programa Mesa Brasil, iniciativa pioneira que evita o desperdício de alimentos impedindo que toneladas de alimentos sejam jogadas fora. Desenvolvido pelo SESC em vários estados do País, o Mesa Brasil possui 12 anos de atuação na capital mato-grossense e em Várzea Grande.
Diariamente o programa recolhe em um caminhão baú refrigerado três toneladas de alimentos que iriam para o lixo. Após um trabalho minucioso de triagem e aproveitamento os alimentos são encaminhados para instituições locais como a APAE, LBV, AACC, creches, escolas, casas de recuperação e abrigo de idosos, aumentando a segurança alimentar e nutricional de crianças, jovens e adultos.
Para Ralf Lourenço, diretor operacional da Cooperativa Conexão Verde Vitória – iniciativa socioambiental patrocinada pela Petrobras através do Projeto Espaço Vitória – é preciso mudar a cultura de consumo da população para que haja menos desperdício de alimentos.
“Muita gente deixa de comprar uma hortaliça ou uma fruta porque tem um ruidinho de lagarta ou uma manchinha, muitas vezes isso ocorre porque a fruta não foi tratada com agrotóxico. Em muitos casos a presença de um fungo superficial faz com que frutas e legume sejam jogados fora, mas por dentro estão em perfeitas condições de consumo, bastando retirar a parte estragada. Na Europa e em outros países é comum nos supermercados a presença de bandejas de alimentos aproveitados, que são comercializados por um preço menor. No Brasil será preciso rever algumas regras radicais da ANVISA para que isso vire realidade por aqui”, finalizou Ralf.
















