Home Justiça Governo gaúcho suspende contrato com agropecuária licenciada para fazer exames de coronavírus

Governo gaúcho suspende contrato com agropecuária licenciada para fazer exames de coronavírus

Ministério Público entrou com ação na Justiça questionando a validade do contrato. Empresa de Pelotas alega que ainda não foi comunicada da suspensão, mas diz que irá responder ao MP.

Estabelecimento fica em Pelotas, no Sul do estado. — Foto: Reprodução

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O governador Eduardo leite anunciou, na tarde desta sexta-feira (17), que suspendeu o contrato com a agropecuária contratada para realizar testes de coronavírus em Pelotas, no Sul do estado. A decisão da Secretaria Estadual da Saúde acolhe a ação do Ministério Público, que contestou o contrato firmado com a empresa M&S Produtos Agropecuários.

“Nossa intenção é buscar agilizar exames e diagnósticos. Se gera dúvida e receio, estamos suspendendo este contrato”, disse o governador.

O proprietário da empresa, Toni Machado, alega que ainda não foi informado do cancelamento do acordo. Ele garante, no entanto, que irá responder aos questionamentos do MP-RS.

O promotor Voltaire de Freitas Michel, autor da ação, havia pedido a suspensão do contrato pelo prazo de 30 dias, inclusive do pagamento por serviços já prestados, até que fosse apresentado um relatório que comprove a adequação do laboratório clínico às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Na ação, ele questionou “o caráter inusitado de um laboratório agropecuário adquirir uma proeminência diante de toda a rede laboratorial clínica privada do Estado”, indicando a possibilidade de existirem “indícios de ação concertada entre agentes públicos e privados, de modo oportunista, diante do relaxamento das regras licitatórias a pretexto da pandemia mundial”.

Leite justificou que o fato de ser, anteriormente, uma agropecuária, não infringiria as regras de atuação do estabelecimento. Segundo ele, os 24 testes realizados tiveram resultado idêntico ao do Laboratório Central do Estado (Lacen), e outros 20 foram feitos também.

“Vamos trabalhar com exames que são feitos dentro da capacidade do Lacen, que consegue fazer cerca de 300 diários, e com convênios com universidades, o que vai levar alguns dias, mas vão atender as necessidades”, explica.

O contrato com a M&S Produtos Agropecuários foi firmado no dia 6 de abril. O objetivo da secretaria era realizar cerca de 250 exames por dia e ampliar a capacidade do estado na testagem do novo coronavírus.

Entidades do setor, entretanto, demonstraram preocupação com a escolha. O Conselho Regional de Farmácia enviou um ofício citando que há mais de mil laboratórios registrados no estado. Já a Sociedade Brasileira de Análises Clínicas questionou se a empresa teria alvará sanitário para exercer a função de laboratório de análises clínicas.