Fosfoetanolamina: “O problema no Brasil é a má vontade do setor público”, critica Maggi

'quem nunca atrasou contas?', questiona ministra da agricultura

O senador Blairo Maggi criticou, nesta terça-feira (05.04), durante audiência na Comissão de Assuntos Sociais (CAS), o excesso de burocracia existente no Brasil e sugeriu aos pesquisadores que desenvolvem estudos sobre os efeitos da fosfoetanolamina sintética no tratamento do câncer, que procurem “exílio” em outros países para conseguir registrar o medicamento. Para o senador, existe uma “má vontade” dos órgãos públicos em fazer com que o Brasil ande e isso tem parado alguns setores no País.

“A paradeira que o Brasil se encontra não é só pela crise econômica, a crise econômica é provocada pela paradeira em si. E não é só na área médica não. Na minha área, na agricultura, está tudo parado, travada pela burocracia que nós mesmos colocamos”, afirmou.

Na opinião do senador, essa situação só será modificada depois de discussões e medidas para retirar as coisas que atrapalham o dia-a-dia do País. Blairo Maggi acredita que se depender do sistema burocrático brasileiro a liberação do uso da fosfoetanolamina sintética vai demorar anos.

“Tem muita vaidade nesse meio. Tem muita gente que está mais interessado em discutir do que propriamente em liberar as coisas. Digo aos pesquisadores que estão trabalhando e que querem fazer essa liberação, que talvez fosse interessante buscar um espaço fora do Brasil, um país que tenha uma legislação diferente, mais flexível, que possa dar guarida a esse tipo de situação”, sugeriu o senador.

O senador reconheceu que é difícil afirmar que cientistas saiam do país para desenvolver seus trabalhos, mas afirmou que conhece a burocracia do Brasil e a má vontade do setor público para fazer as coisas andarem.

As afirmações do senador Blairo Maggi foram feitas durante audiência pública conjunta, destinada a tratar dos resultados obtidos pelo grupo de trabalho destinado a apoiar as etapas necessárias ao desenvolvimento clínico da fosfoetanolamina.

Participaram da audiência os professores aposentados da USP (Universidade de São Paulo), Gilberto Chierice, criador da fósfo; Durvanei Augusto Maria; Renato Meneguelo, biomédico do Instituto Butantan; Jailson Bittencourt de Andrade, secretário de Políticas e Programas de Pesquisas e Desenvolvimento do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação – SEPED/MCTI ;Marisa Maria Dreyer Breitenbach, coordenadora de Pesquisa e Educação do Instituto Nacional do Câncer –INCA e Pedro Prata, Diretor do Departamento de Ciência e Tecnologia da Secretaria de Ciência e Tecnologia.