Florianópolis vai ficar fora da rota dos cruzeiros na próxima temporada de verão, mais uma vez

O motivo é a falta de estrutura para receber os passageiros.

Florianópolis fica fora da rota dos cruzeiros durante a temporada. Foto: Banco de imagens

Florianópolis vai ficar fora da rota dos cruzeiros na próxima temporada de verão, mais uma vez. Em março do ano passado, foi realizada uma escala teste em Canasveiras, que foi reprovada pela operadora de cruzeiro e pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq).

Dos 40 requisitos exigidos, 17 não foram satisfatórios. A falta de infraestrutura em terra e o tempo de 30 minutos para deslocar os passageiros do navio até o trapiche adiaram o plano de incluir a capital catarinense na rota dos transatlânticos.

Uma solução seria construir um trapiche e um receptivo para os passageiros em Canajurê – praia localizada entre Canasvieiras e Jurerê, no Norte da Ilha. As condições marítimas no local são consideradas favoráveis.

“Perde o município, perde o estado, perde muito em arrecadação de impostos. E a movimentação seja na via gastronômica, seja no comércio local, nós vamos ter uma perda substancial”, falou o presidente da CDL de Florianópolis Ernesto Caponi.

Seria preciso investir na infraestrutura, só que a ideia não avançou. A Antaq não foi mais procurada, conforme o chefe da unidade regional Maurício Medeiros de Souza.

“A gente sabe que a prefeitura está se esforçando e está de fato empenhada em localizar uma alternativa para instalar um turismo de embarcação de cruzeiros aqui na ilha, mas consulta formal ainda não.”

Foto: Banco de imagens

Rota de cruzeiros

Atualmente a rota de cruzeiros em Santa Catarina é formada por Porto Belo, Balneário Camboriú e Itajaí, que vai retomar a operação em uma área comercial do porto enquanto um novo pier turístico não é construído.

Uma das operadoras confirmou para a próxima temporada 28 escalas. Cerca de 109 mil passageiros devem desembarcar nessas três cidades e movimentar mais de R$ 56 milhões.

Outros dois municípios do litoral podem ser incluídos no roteiro antes mesmo de Florianópolis, disse o presidente da Associação Brasileira de Cruzeiros Marítimos, Marcos Ferraz.

“A gente tá conversando com Penha. Estamos conversando com São Francisco do Sul novamente. Dependem de algumas coisas para acontecerem, como batimetria na região do porto, porque os navios são grandes e tem mais calado. A gente tá aguardando e conversando com as prefeituras pra tentar abrir novos destinos. Florianópolis sempre foi um sonho de consumo.”

Um sonho ainda distante da realidade, e sem perspectiva de sair do papel. “O empresário tem interesse em montar o equipamento que está faltando para definitivamente os navios aportarem em Florianópolis, mas a coisa acaba não andando com a velocidade que deveria, causando até um desconforto e uma insegurança para a questão da segurança jurídica”, falou o secretário da Associação Náutica Brasileira (Acatmar), Maurício Ventura.

Posição da prefeitura

A prefeitura diz que para construir um pier de atracação adequado, que dê condições para receber os passageiros, custa em torno de R$ 10 milhões, investimento considerado alto. E adiantou que o município não tem condições de arcar com essa despesa, e que desde o ano passado vem buscando parcerias na iniciativa privada.

Um empresário chegou a manifestar interesse, conforme o superintendente de turismo de Florianópolis, Vinícius de Lucca Filho.

“Os estudos andaram mas esse investidor desistiu porque precisaria de mais espaço, enfim, desistiu por questões de mercado. Florianópolis é um destino consagrado, a partir do momento que tivermos instalações adequadas e por isso buscamos recursos privados para isso, nós certamente seremos um player, um ator muito importante desse mercado.”