Ex-soldado do Exército foi condenado a 22 anos por morte de DJ e apresentador em Laguna

Réu recebeu pena por latrocínio, tentativa de ocultação de cadáver e corrupção de menores. Vítima foi encontrada morta em janeiro na Praia do Gi.

Clovis William Dos Santos era conhecido como DJ Mukirana — Foto: Reprodução/Facebook

Um ex-soldado do Exército, que confessou à Polícia Civil ter participado do assassinato do DJ e apresentador Clovis William dos Santos, de 44 anos, conhecido como Mukirana, foi condenado a 22 anos de prisão em regime fechado, segundo o juízo da comarca de Laguna, no Sul catarinense.

O corpo da vítima foi encontrado em 7 de janeiro na Praia do Gi, em Laguna. A causa da morte foi traumatismo craniano. Conforme as investigações, o homem asfixiou o jornalista enquanto dois adolescentes, que foram apreendidos, davam golpes no rosto dele.

O então militar, de 20 anos, teve mandado de prisão preventiva cumprido ainda em janeiro. A condenação foi dada segunda-feira (15), por latrocínio, tentativa de ocultação de cadáver e corrupção de menores. O processo corre em segredo de justiça e cabe recurso.

Segundo o Tribunal de Justiça de Santa Catarina, o réu ainda levou o carro do DJ após o crime.

Quando preso em janeiro, o homem ainda era soldado e ficou detido ficou na 63º Batalhão de Infantaria. Segundo o delegado Bruno Fernandes, responsável pela investigação, o homem foi exonerado do Exército e está em presídio comum.

A reportagem solicitou à Justiça informações sobre os dois adolescentes, sem sucesso. De acordo com a Polícia Civil, os dois já foram julgados e condenados na Vara da Infância e Juventude.

Corpo foi encontrado na Praia do Gi em Laguna — Foto: André Luiz/Agora Laguna

O crime

As investigações policiais apontaram que o DJ e outros três casais saíram de Tubarão com destino a Laguna, no carro da vítima, na noite de 6 de janeiro. O apresentador teria empenhado o veículo em troca de drogas.

Já com a intenção de matar a vítima, o grupo foi à Praia do Gi sob o pretexto de usar drogas. Então, o então soldado, sentado no banco de trás, teria asfixiado a vítima com uma camiseta, enquanto os dois menores de idade deram socos e chutes em seu rosto.

Na sequência, já sem vida, Mukirana teve mãos e pés amarrados com fios e cabo de TV e foi colocado no porta-malas do carro. A ideia inicial dos três envolvidos era levar o corpo para outra praia, mas depois mudaram de ideia e resolveram jogá-lo no mar. Em seguida, roubaram o veículo da vítima e fugiram em direção a Tubarão, também Sul do estado.

Ex-soldado

O militar teria ficado responsável por esconder o veículo, por isso faltou ao trabalho no Exército no dia 7. Porém, a polícia localizou o carro naquele mesmo dia, no Morro da Antena, em Tubarão.

Ele era lotado há dois anos no 63º Batalhão de Infantaria e, por causa da falta, foi punido com medida disciplinar. Ele ficou no quartel nos dias 10 e 11.

Em contato com os militares daquela unidade, a polícia foi informada de que o suspeito seria liberado por volta das 8h30 de sábado. O pedido de prisão foi feito à Justiça ainda em 12 de janeiro, sendo o mandado expedido na mesma data.