As balsas que ligavam os Estados Unidos a Cuba, um pitoresco serviço marítimos que desapareceu há meio século por causa do conflito bilateral, logo começarão a reaparecer no Estreito da Flórida – um pedaço de mar que separa os dois países.
A medida é possível após o governo de Barack Obama ter autorizado, nesta semana, quatro empresas norte-americanas a restabelecer esse serviço entre o estado da Flórida e Cuba. Os Departamentos do Tesouro e do Comércio, em Washington, divulgaram que essas companhias já foram notificadas de que têm as licenças para desenvolver o serviço.
Em Cuba, tanto o site "Debate" como a agência de notícias "Prensa Latina" divulgaram a notícia citando fontes norte-americanas e sem comentá-la. Mas, em Havana, um analista das relações entre as duas nações, que pediu para não ser identificado, disse à ANSA que a medida "parece ser mais um buraco no bloqueio que os EUA aplicam contra Cuba" por 55 anos.
Sem embargo, um levantamento total da medida, peça fundamental das chamadas sanções norte-americanas, agora está só nas mãos do Congresso em Washington. As empresas que receberam a autorização foram a Havana Ferry Partners, de Fort Lauderdale, a Baja Ferries, de Miami, a United Caribbean Lines Florida, de Orlando, e a Airline Brokers Co, de Miami e Fort Lauderdale. Uma fonte do Departamento do Comércio afirmou ao jornal "Sun Sentinel", de Miami, que a medida precisa ser aprovada por Havana para valer.
Os serviços de balsas, antes de 1º de janeiro de 1959, eram diários entre os dois países e eram bastante "pitorescos". Além de transportar passageiros em ambas as direções, eles permitiam o transporte de automóveis. Os viajantes norte-americanos podiam passar algumas horas, um fim de semana ou períodos mais prolongados na ilha cubana. Esse meio de transporte era utilizado, essencialmente, pelo turismo.
A modalidade foi utilizada – depois do rompimento das relações – pelo cinema de Hollywood para seus filmes. Entre os que utilizaram a rota está a segunda parte do "O Poderoso Chefão", protagonizado por Al Pacino em Havana e que tinha como ator principal Robert Redford.
Agora, é provável que se estabeleçam outras modalidades muito mais restritas porque o embargo a Cuba ainda está vigente – mesmo com o anúncio no último dia 17 de dezembro, quando os presidentes Barack Obama e Raúl Castro anunciaram a "normalização" de suas relações diplomáticas.
Na época, o próprio Obama anunciou algumas medidas limitadas de "abertura" em relação aos turistas. Ele manteve as 12 categorias de cidadãos norte-americanos que podem ir à ilha e, entre elas, não está a de "turistas". Porém, o mandatário eliminou uma série de trâmites na liberação da autorização para visitar Cuba. Obama também autorizou que os visitantes gastem dinheiro no país vizinho e que tragam produtos da ilha, como os famosos charutos, em quantidades muito limitadas.
As empresas de balsas que receberam as licenças asseguram que suas passagens serão muito mais baratas que os serviços de aviação que voam em ambas as direções. Mas, já anunciaram que não será permitido o transporte de carros entre as duas nações.



















