
A cena se espalhou no último domingo: em um barco pesqueiro, um grupo comemora o sucesso quando uma baleia se afasta deixando um rastro de sangue no mar.
Em outra imagem, a cauda do animal aparece boiando próxima à embarcação, para também ser alvo de risos da tripulação. O vídeo, que circula nas redes sociais, está sendo analisado pelo ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade).
Algumas evidências apontam para que o crime tenha sido cometido no litoral de Santa Catarina. Caso seja confirmado, os responsáveis responderão por crime ambiental.
Como ainda não há confirmação da veracidade das informações, a reportagem optou por não divulgar o vídeo, apenas reproduziu algumas cenas.
A denúncia foi feita na página do Facebook da ONG Projeto Megafauna Marinha do Brasil, que publicou o vídeo na tarde de domingo. Ainda não há confirmação de que o caso tenha ocorrido recentemente, nem o local exato, mas o conteúdo repercutiu no fim de semana. A Polícia Militar Ambiental também está investigando a procedência do material.
Indícios de localização
As imagens foram analisadas pelo professor Jules Soto, curador do Museu Oceanográfico da Univali (Universidade do Vale do Itajaí) e referência no estudo de mamíferos marinhos no Estado.
Para ele, alguns pontos mostram como o fato provavelmente deve ter acontecido no litoral catarinense.
“Esse tipo de embarcação, de pesca de arrasto, é característico de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul, 99% do que existe no Brasil é daqui. E pelo sotaque, aparentemente é de alguém daqui da região”, explica.
Segundo a análise do professor, o animal aparenta ser uma baleia da espécie jubarte, cujo porte pequeno indica ser jovem. Por isso, completa, era impossível que ela tivesse força para virar a embarcação, como os tripulantes afirmam no vídeo.
“Ela, no máximo, iria puxar o barco para frente ou para os lados.”

Para o professor, independentemente de quando e onde o fato tenha acontecido, o vídeo precisa ser visto como um marco para mudanças na cultura pesqueira.
“Não é uma julgar, mas sempre se prioriza a manutenção do equipamento, não dos animais. É uma questão de ética: hoje ainda se prefere fazer uma crueldade do que ter um prejuízo”, conclui.



















