Na sequência de bons resultados da economia, o Brasil encerra a semana com o mercado financeiro tranquilizado. Isso graças à expectativa de queda nos juros estruturais e ao aumento na tributação de combustíveis, que deve contribuir para que o governo federal cumpra a meta de déficit primário de 2017, fixada em 139 bilhões para a União.
Em meio à estabilização da economia, o governo federal decidiu elevar a alíquota de PIS/Cofins sobre a gasolina com vistas a gerar uma arrecadação de R$ 10,4 bilhões e evitar um rombo maior nas contas públicas.
Segundo especialistas, é importante atingir a meta estabelecida para manter a credibilidade da economia frente aos investidores e também evitar o endividamento excessivo do País.
“Os agentes econômicos, principalmente os investidores, acabam entendendo [a medida] de uma forma positiva porque toca em um fator importante que é a sustentabilidade fiscal”, avaliou o economista-chefe da agência de risco Austin Rating.
Diante das perspectivas positivas para economia, num cenário de inflação baixa e de queda dos juros, o dólar encerrou a quinta-feira (20) cotado a R$ 3,12, menor patamar para a moeda norte-americana desde maio. Isso é resultado de maior confiança do investidor, que injeta mais dinheiro no País e derruba a cotação da moeda.
“Na verdade, uma parte do desempenho da economia, dessa melhora, tem sido justamente pela perspectiva de uma queda da taxa de juros justamente porque tem uma queda nos índices de preços [inflação]”, comentou o economista.
Risco País
O Risco País também caiu diante dos dados de geração de emprego e do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Isso porque o indicador que mede a inflação oficial deve continuar sua trajetória de queda, reforçando um eventual corte da taxa básica de juros, a Selic, pelo Banco Central.
Analista do banco Haitong, o economista Flávio Serrano atribuiu esse cenário também à agenda econômica do governo federal, em especial à aprovação da modernização trabalhista. “Esse cenário acaba ajudando com a percepção de risco, e a gente teve isso”, afirmou.
Para ele, a decisão do governo federal também vai ajudar no cumprimento da meta fiscal deste ano e não deve gerar dificuldades no controle da inflação, já que se trata de um aumento externo e pontual. Serrano, no entanto, ressalta a importância de continuidade das reformas econômicas para manter a trajetória positiva da economia.
















