O surgimento do grupo jihadista Estado Islâmico (EI), que controla diversos territórios no Iraque e na Síria, é um fenômeno que não pode ser explicado por um só motivo, mas uma série de fatores que, somados, levaram ao fortalecimento da organização.
Para falar sobre o assunto, o Canal Livre deste domingo recebeu o professor de relações internacionais da PUC de São Paulo, Reginaldo Nasser, e o jornalista especialista em assuntos internacionais, Jaime Spitzcovsky.
Um dos motivos do EI ter se sobressaído a outros grupos é a sua composição, formada em parte por ex-comandantes do exército de Saddam Hussein, com experiência de guerra, e da outra por insurgentes guerrilheiros. Segundo Nasser, essa combinação deu força e versatilidade aos jihadistas.
A visibilidade conseguida pelo Estado Islâmico por meio de seus vídeos de execuções também é um fator importante, cuidadosamente planejado.
“É uma ação extremamente pensada”, analisou Spitzcovsky. Para o jornalista, a mudança na forma das execuções, faz com que o impacto não se perca. “Serve para deixas uns inativos pelo terror, e atrair outros”, completou Nasser.
Intervenção
Apesar de Barack Obama, presidente dos EUA, que lidera a coalizão contra o Estado Islâmico, ter garantido que vencerá o grupo extremista, essa não será uma tarefa simples, como o próprio líder americano já reconheceu.
“Bombardeio apenas não adianta. A expansão (do EI) foi estancada, não eles não foram erradicados”, pontou Jaime, que defendeu um intervenção internacional para conter o genocídio.
O professor Nasser, porém, acredita que mais ações das potências ocidentais contra o grupo irão piorar a situação. “Quanto menos intervir, melhor. Daqui a três, quatro anos, teremos outros grupos (caso o EI seja derrotado)”, justificou. O especialista argumentou ainda que as minorias estão sendo mortas justamente para atrair a guerra.
Ele acrescentou que a forma de se lidar com o problema ainda não está muito clara, mas que é preciso um empenho mais profundo para reconstruir as nações e seus governos. Para Reginaldo Nasser, o sucesso da empreitada depende de “reintegrar as massas” que estão na Síria e no Iraque e encontraram medo e segurança no EI.
Jaime Spitzcovsky, por sua vez, disse acreditar que o EI será vítima de seu próprio sucesso em se expandir tão rapidamente. “Acho que não é um fenômeno de longa duração. Quanto mais eles caminharem para formarem um estado, mais vão incomodar os grandes.”
O jornalista comparou o fenômeno do terrorismo, porém, a alguém que tem uma dor crônica. “Pode melhorar ou piorar, mas sempre vai existir.”