O dólar comercial avançou ontem 1,17%, a R$ 3,6271 na venda, maior nível desde 27 fevereiro de 2003 (R$ 3,662), e acumulou alta de 5,91% no mês passado. É a maior variação para meses de agosto desde 1999, quando a moeda subiu 6,55%. No ano, a valorização já chega a 36,42%.
Nas casas de câmbio, o dólar era vendido, por volta das 18h30, por mais de R$ 4, com o IOF. Na Cotação, a moeda saía por R$ 4,04 no cartão pré-pago e por R$ 3,82 em espécie. Na Confidence, os valores estavam em R$ 4,04 e R$ 3,83, respectivamente. Na AGK, em R$ 4,01 e R$ 3,83.
Preocupações com o cenário político no Brasil e a economia local, de um lado, e com a desaceleração da economia chinesa e a perspectiva de alta de juros nos Estados Unidos, do outro, vêm levando especialistas a prever ainda mais altas do dólar, que pode se aproximar de R$ 4 nos próximos meses.
Ontem, a apreensão ganhou força com a notícia de que o Orçamento enviado pelo governo ao Congresso para 2016 projeta déficit primário de R$ 30,5 bilhões para o ano que vem. Investidores entenderam que essa decisão deixaria o Brasil mais próximo de perder seu grau de investimento, o que provocaria intensa fuga de capitais dos mercados locais.
A apreensão com o cenário local somou-se à pressão vinda dos mercados externos e levou a moeda norte-americana a saltar em relação ao real mesmo diante da maior intervenção do Banco Central. Na máxima da sessão, o dólar subiu 2,77%, a R$ 3,6845, ao maior nível intradia desde 16 de dezembro de 2002, quando foi a 3,70.
Metro
Bolsa cai 8,33% no mês
O Ibovespa, principal indicador da Bovespa, caiu 1,12%, a 46.625 pontos. Em agosto, a Bolsa despencou 8,33% – a maior perda mensal de 2015. No ano, há baixa de 6,76%.
A queda foi puxada, principalmente, pelo desempenho negativo das ações dos bancos Bradesco, Itaú Unibanco e Banco do Brasil, que têm grande peso sobre Ibovespa.
Os papéis do Banco do Brasil fecharam em queda de 5,06%, a R$ 17,83. Os do Bradesco perderam 4,08%, a R$ 23,05. As ações do Itaú Unibanco recuaram 3,56%, a R$ 26,55.
Mercado eleva previsão de queda para 2015 e 2016
Economistas de instituições financeiras voltaram a piorar suas projeções para o PIB, segundo a pesquisa Focus do Banco Central divulgada ontem. A estimativa para a contração econômica em 2015 agora é de 2,26%, ante 2,06% anteriormente, na 7a semana seguida de deterioração. Já para 2016, a queda esperada foi a 0,40%, contra 0,24% no último levantamento.
Entre abril e junho, a economia encolheu 1,9% sobre os três meses anteriores e caiu 2,6% na comparação anual, segundo dados divulgados na sexta-feira. Com isso, o país entrou oficialmente em recessão.
Houve ainda ligeiros ajustes nas perspectivas de inflação, apontando que o IPCA deve subir 9,28% em 2015 e 5,51% em 2016, contra 9,29% e 5,50%, respectivamente, na pesquisa anterior.
Sobre a política monetária, as expectativas não mudaram. A Selic deve ficar em 14,25% ao ano no fim deste ano e cair a 12% ao ano ao final de 2016. Para a reunião desta semana do Copom (Comitê de Política Monetária), permanece a visão de manutenção da taxa em 14,25% ao ano.

















