Dilma diz que a Petrobras já limpou o que tinha que limpar

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A presidente Dilma Rousseff disse nesta quarta-feira (9) que a Petrobras superou seus problemas e "está de pé", ao comentar o assunto durante a entrega de 500 apartamentos do Programa Minha Casa, Minha Vida em Duque de Caxias, no Rio de Janeiro. "A Petrobras está de pé. Ela limpou tudo o que tinha que limpar. Tirou os que estavam lá dentro e que aproveitavam de suas posições para enriquecer os seus próprios bolsos", afirmou.

A presidente destacou que a estatal superou a marca de 700 mil barris de óleo extraídos do pré-sal, camada mais profunda do subsolo marítimo. "Não só já deu a volta por cima, como hoje já mostrou a que veio. Bateu todos os recordes e chegou a 700 mil barris em tempo recorde”, acrescentou.

“O mundo reconhece isso", ressaltou a presidente ao afirmar que a empresa receberá a maior premiação do setor, este ano, nos Estados Unidos. "[A estatal] dará muito mais orgulho ao país do que já deu. A Petrobras já superou essa fase. Vai tomar rumo. Vocês podem ter certeza que defender a Petrobras é defender o Brasil", declarou.

Em entrevista à emissora norte-americana CNN, com trechos divulgados na noite de quarta-feira, a presidente voltou a defender a atuação do governo em resposta ao escândalo bilionário de corrupção na estatal, reiterando que as fraudes foram descobertas em investigações da Polícia Federal por meio da Operação Lava Jato.

"Nós descobrimos porque a Polícia Federal e o Ministério Público Federal descobriram, prenderam, doleiros", disse. "Quando se prendeu esses doleiros, se descobriu que um desses doleiros tinha ligação com um diretor da Petrobras, e aí é que foi puxado todo o novelo da corrupção feita por funcionários da Petrobras".

Três ex-diretores da estatal (Paulo Roberto Costa, Nestor Cerveró e Renato Duque), já são réus no processo iniciado pela Lava Jato, além de João Vaccari Neto, executivos de empreiteiras que tinham contratos com a Petrobras e o doleiro Alberto Yousseff, acusado de ser um dos operadores do esquema.

Dilma diz ter certeza que dinheiro de propina não pagou campanha eleitoral

Dilma afirmou, na entrevista à CNN, ter certeza de que não houve dinheiro desviado de corrupção em sua campanha presidencial. A presidente reiterou que as contas de sua candidatura foram aprovadas pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

"Eu tenho absoluta certeza que a minha campanha não tem dinheiro de suborno", disse Dilma na entrevista realizada no Palácio do Planalto nesta semana.

"Isso não quer dizer que eu me coloque acima de ninguém. Qualquer brasileiro, cidadão ou cidadã, ele deve prestar contas do que faz. Eu prestei para o Tribunal Superior Eleitoral, entreguei as minhas contas, e elas foram auditadas e foram aprovadas", acrescentou.

Dilma disse que se for confirmado que dinheiro de suborno chegou a alguém, "essa pessoa tem que ser responsabilizada, é assim que deve ser".

Em depoimento à CPI da Petrobras no mês passado, o ex-gerente-executivo da diretoria de serviços da estatal Pedro Barusco, um dos operadores do esquema de corrupção na empresa, relatou que houve pedido de "patrocínio" à fornecedora de sondas da Petrobras SBM Offshore para a campanha presidencial de 2010, quando Dilma foi eleita.

No entanto, Barusco afirmou não saber se os valores repassados foram diretamente direcionados para a campanha eleitoral.

Segundo o ex-gerente, que firmou um acordo de delação premiada com a Justiça, o PT, partido da presidente, teria recebido de US$ 150 milhões a US$ 200 milhões em propina como parte do esquema de corrupção descoberto pela Operação Lava Jato.

Ainda de acordo com Barusco, o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, gerenciava o recebimento de propinas para o partido no sistema que envolveu a petroleira, empreiteiras e políticos.

Vaccari e o PT negam as acusações. O tesoureiro, que está prestando depoimento à CPI da Petrobras desde as 10h50 desta quinta-feira, responde a processo sob acusação de receber doações para o PT oriundas de propinas pagas por empreiteiras para a obtenção de contratos com a Petrobras.

Dilma não está entre os investigados no âmbito da operação Lava Jato.