De acordo com dados de 2015 da Associação Brasileira de Transporte de Órgãos, o coração é o terceiro aparelho mais transplantado no Brasil, atrás apenas do rim e do fígado. Esta cirurgia é indicada apenas em casos extremos pois pode levar à alguns riscos de saúde. Estudo realizado neste ano pelo cardiologista que integra o Corpo Clínico do laboratório Cedic Cedilab, Roberto Cândia, visa detectar de forma precoce o problema responsável pelo maior número de mortes após o primeiro ano do procedimento: a doença vascular do enxerto.
Para entender melhor esta condição Dr. Cândia escreveu e apresentou uma tese no instituto Dante Pazzanese de cardiologia, entidade associada a Universidade de São Paulo, sobre o diagnóstico da doença vascular do enxerto por meio da tomografia computadorizada. “Muitos pacientes transplantados desenvolvem esta patologia após o procedimento. Isso faz parte de um processo comum de rejeição do novo coração por parte do corpo”, explica o médico.
De acordo com o cardiologista, este problema tem alguns fatores muito similares a uma aterosclerose, ou seja, o acúmulo de placas de gordura, colesterol e outras substâncias nas paredes das artérias. “Com isso, o fluxo sanguíneo nas artérias é restringido, podendo levar a graves complicações de saúde. A diferença maior é que na doença vascular do enxerto este quadro acontece de forma muito mais acelerada que o comum”, alerta.
Novas descobertas
O especialista percebeu em suas pesquisas que esta é uma doença praticamente assintomática e devido a evolução rápida do quadro, quando os sintomas se apresentam o quadro já está muito avançado. “A maioria dos pacientes não sentem sintomas nas fases iniciais da doença porque o coração transplantado não conta com o sistema nervoso sensível como de um órgão normal. Com isso, ele pode até enfartar sem nunca ter sentido dor. Por isso, o diagnóstico de imagem feito precocemente pode salvar vidas”, reforça.
A detecção precoce da doença vascular do enxerto pode evitar mortes pois quanto mais cedo o problema for diagnosticado, mais cedo o paciente poderá ser tratado por meio de medicações. “O que a minha pesquisa demonstrou é que quando a doença e detectada pela tomografia, o paciente tem até seis vezes mais chances de morrer em relação ao paciente que não tem a alteração. Ou seja, conseguimos prever os casos mais graves o que poderá auxiliar no tratamento”, conclui o médico.


















