Deputado Julio Garcia, presidente da Alesc, é indiciado na Operação Alcatraz. Foto: Reprodução
Em uma coletiva concedida na tarde desta terça-feira (15), o presidente da Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc), deputado Julio Garcia (PSD), afirmou que não há nada comprovando que ele seja “sócio oculto” da empresa do amigo e genro da ex-mulher dele.
“Não há nenhuma prova sequer de que eu possa ser sócio oculto dessa empresa. Não há nenhuma prova porque é muito vago você ser sócio oculto”, afirmou Júlio. “Se em maio fiquei abatido, hoje estou indignado, esse é o sentimento de qualquer pessoa por uma situação dessa, de ser acusado de uma coisa que você não fez. O que me resta é ter a serenidade que tive desde maio para continuar me defendendo e confio na justiça e tenho certeza que vou provar minha inocência”, afirmou.
Nos relatórios da Operação Alcatraz entregues pela Polícia Federal na segunda-feira (14) à 1ª Vara da Justiça Federal de Florianópolis, a Polícia Federal definiu Julio como “sócio oculto” da empresa Apporti, vencedora de licitações da Secretaria de Administração. A Apporti é do empresário Jefferson Rodrigues Colombo. Tanto Julio César Garcia quanto Jefferson Rodrigues Colombo foram indiciados por fraude a licitação, organização criminosa, corrupção ativa e ocultação de bens. Ao longo da investigação, a polícia apurou indícios de fraude e superfaturamento em pregão vencido pela Apporti para gestão de linhas telefônicas do Estado.
Sobre a relação dele com Jefferson Rodrigues Colombo, Garcia afirmou que “Ele é meu amigo, genro da minha ex-mulher. Com a empresa dele, nenhuma relação. No meu depoimento, eu declarei tudo o que eu recebi e ele também declarou tudo o que ele pagou. Era fruto de uma dívida contraída no ano de 2007, quando ele passou por uma situação difícil. Eu vendi um apartamento, emprestei um dinheiro para ele, o socorri em um momento que ele precisava, afinal de contas ele era genro da minha esposa na época. E ele só se recuperou a partir de 2012″.
“Há que se registrar também que os pagamentos feitos e outras suposições da investigação ocorreram antes de 2016, que é quando tem um contrato na Secretaria de Administração que eles vinculam… o termo que eles usam é ‘fraudar licitação’. Como é que eu vou fraudar uma licitação na Secretaria da Administração? Só por que eu conhecia, era amigo do secretário-adjunto? Irresponsabilidade. Eu não conhecia a licitação, não participei, não tem uma prova, não tem um telefonema, não tem absolutamente nada”, continua Garcia.
Em relação à “Planilha J.G.”, encontrada em uma agenda de Jefferson e que mostra um controle de pagamentos, com diversos nomes e razões para os pagamentos, Garcia afirma que “Não, essa lista eu não tenho. Aliás, eu não tinha controle nenhum desses pagamentos. Quem controlava tudo era o Jefferson. O controle era dele, eu não tenho planilha nenhuma. Tanto que foram até a minha casa, não pegaram dinheiro, não pegaram planilha, não pegaram documento, não tinha nada”.
Perguntado se Jefferson o informava com frequência sobre os pagamentos, o deputado diz que “Não… esporadicamente. Não era uma coisa tão organizada assim contabilmente. Uma relação de amizade também”.
A defesa de Jefferson informou que vai “analisar o relatório antes de exarar alguma posição”. A Alesc disse que não vai se manifestar pois a instituição não é alvo da operação e nem tem relação com os fatos investigados.
Além do deputado, foram indiciados parentes dele, pessoas apontadas como funcionárias de Julio Garcia e empresários que estariam envolvidos na fraude. A polícia ainda pede o ressarcimento aos cofres públicos no valor de quase R$ 1,5 milhão.
Foram dois relatórios entregues pela PF à Justiça que indiciam ao todo 21 pessoas por diversos crimes: fraude a licitação, alteração ou prorrogação ilegal de contratos, corrupção ativa, corrupção passiva, ocultação de bens e organização criminosa.
Operação Alcatraz
Os documentos entregues nesta segunda-feira vão ser integrados aos outros quatro relatórios do inquérito já encaminhados à Justiça Federal. Todos ficam à disposição da uma força-tarefa, que trabalha na operação formada pelo Ministério Público Federal. O órgão poderá oferecer denúncias, requerer diligências ou, ainda, pedir o arquivamento.
A Operação Alcatraz foi deflagrada em maio deste ano e investigou supostas fraudes em licitações, desvio de dinheiro e superfaturamento de contratos de prestação de serviço de mão de obra terceirizada e do ramo de tecnologia firmados com órgãos do governo do estado.