A Câmara de Vereadores de Florianópolis recebeu nesta segunda-feira (13) uma denúncia envolvendo o vereador Maikon Costa (PSDB), dando conta de supostos repasses de suplentes ao vereador nas ocasiões em que estes assumiram como titulares.
Por telefone, o denunciante Rafael Coelho, que era funcionário do gabinete de Costa e foi exonerado em dezembro de 2018, disse que o episódio teria ocorrido também com outros dois funcionários do gabinete e que o vereador teria dito que a “prática” seria comum. No documento protocolado na Câmara, Coelho afirma que o vereador “solicitou os repasses” por interesses pessoais, entre eles para “pagar pensão”.
Os repasses teriam variado entre R$ 500 e R$ 1 mil. Um áudio gravado por Coelho foi anexado à denúncia. A reportagem teve acesso ao conteúdo, mas como o arquivo tem baixa qualidade, não foi possível reproduzi-lo na íntegra.
Coelho alegou que só fez a denúncia cinco meses após ter sido demitido porque tem “pouca prática política” e que, até então, não sabia que os supostos repasses eram ilegais. Quando tomou conhecimento, portanto, decidiu levar a denúncia adiante.
A Câmara informou que o fato será apurado pelo Conselho de Ética e que a denúncia também foi encaminhada ao Ministério Público de Santa Catarina.
Costa conversou com o ND e negou as acusações. Ele disse que Coelho foi exonerado por “incompatibilidade com o gabinete” e que tentou ajudá-lo financeiramente por conta do “vínculo de amizade” de longa data. O vereador também atribuiu a denúncia à “perseguição” por conta de sua atuação na Casa.
A reportagem tentou contato com a suplente que teria feito o repasse ao vereador, mas ela não atendeu às chamadas.
Costa também encaminhou uma nota à imprensa com sua versão dos fatos. Confira na íntegra:
Perseguição: Não foi a primeira e não será a última. Era natural que após provocar a CPI dos Transportes e realizar audiência sobre o novo acesso ao Sul da Ilha que começou a elucidar possíveis irregularidades no processo de indenizações, que os ataques sistemáticos viriam ao nosso mandato.
O Sr. Rafael Coelho foi comissionado lotado em nosso gabinete e por incompatibilidade, acabou sendo exonerado. Mesmo assim em função de um vínculo de amizade estabelecido desde 2002 quando servimos o Exército Brasileiro, tentei ajudá-lo financeiramente, até que pudesse se recuperar e encontrar emprego, o que prova conforme os próprios prints encaminhados na sua denúncia, que ao contrário do que diz, ele é o beneficiado do meu depósito e não o contrário. Me espanta que esta denúncia venha só agora, requentada e muito provavelmente a serviço de alguém.
Quanto ao recorte do áudio, ele é absolutamente fora de contexto, fracionado e prova mais uma vez a litigância de má fé de alguém que usou por inúmeras vezes a coação para tentar chegar os seus objetivos.


















